Os outros ventos do comércio internacional

14/10/2008

Encerramos a coluna anterior estabelecendo as vantagens de se criar uma plataforma de negócios brasileiros na China, para facilitar – via empresas chinesas – o intercâmbio de bens e serviços não só com aquele país, mas com todo o mundo oriental. E, da mesma forma, na contrapartida, uma plataforma de negócios chinesa no Brasil, para facilitar a eles o estabelecimento de negócios com todo o hemisfério ocidental. Plataformas essas que poderiam ser ainda usadas por terceiros países, como a Argentina, permitindo nesses casos que o Brasil agregue serviços nacionais ao intercâmbio comercial da Argentina com os países orientais, no exemplo citado.

Os olhos do mundo focalizam o mercado chinês, embora mantenham parte de sua atenção ao que acontece em terras brasileiras, principalmente depois das grandes descobertas petrolíferas recentes, de novamente se lembrar do Brasil como celeiro do mundo, ou ainda em função das possibilidades brasileiras como fornecedor de energia renovável, ecologicamente correta. Então, este é o grande momento de se firmar uma parceria Brasil-China, para ampliação dos respectivos mercados.

Mas, há uma outra proposta a considerar, e que não exclui essa possibilidade. Conforme um conceito estabelecido pelos especialistas europeus cerca de seis anos atrás, quatro países pelo menos podem ser apontados como dignos de atenção por seu potencial de desenvolvimento neste século. Além do Brasil e da China, há também a Índia e a Rússia. Os quatro formam o chamado grupo BRIC, sigla formada unindo-se a primeira letra latina do nome de cada um deles.

União, aqui, é a palavra chave. E a proposta agora é que sejam também estudadas parcerias entre Brasil e Índia, e entre Brasil e Rússia, para a criação de plataformas de alavancagem de negócios também beneficiando esses mercados e países próximos. Tudo o que foi dito sobre uma plataforma de negócios sino-brasileira vale para a proposição de uma estrutura semelhante russo-brasileira, ou indo-brasileira.

Grandes mercados potenciais precisam agregar ação para que a potência se transforme em realização. Culturas bastante distintas, precisam se aproximar, estabelecer pontes de intercomunicação, para que as idéias de futuros negócios surjam, a partir do conhecimento das necessidades mútuas e dos bens e serviços que cada um pode oferecer.

Da mesma forma que os chineses têm dificuldade em lidar com o alfabeto latino, os brasileiros também se atrapalham com o alfabeto cirílico. Aliás, quantos dos eventuais leitores desta coluna falam sânscrito?

Se o caminhão com a sua mercadoria, trafegando por uma cidade indiana, topar com um boi sentado placidamente no meio da rua, que instruções terá o seu funcionário para agir? Saberá ele esperar pacientemente que o animal resolva levantar e desimpedir o caminho? Ou logo pensará em fazer um belo churrasco? É bom estar bem preparado para essa resposta: todo o futuro de seus negócios com mais de um bilhão de pessoas pode depender do que acontecerá com esse boi sagrado… E é só um exemplo…
 

Carlos Pimentel Mendes é jornalista e edita o site Novo Milênio: pimentel@pimentel.jor.br

 

Fonte: PortoGente – www.portogente.com.br

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