Rodízio de veículos, pedágio urbano, expansão das linhas do metrô, investimentos em transporte público, corredor de ônibus… Idéias não faltam na tentativa de reduzir ou, pelo menos, minimizar os congestionamentos no trânsito da maior cidade da América Latina. São Paulo atingiu a marca histórica de 6 milhões de veículos em fevereiro e cresceu acima da média no mês de março, segundo dados recém-divulgados pelo Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito).
Os números impressionam. Se levarmos em consideração a atual situação do trânsito paulistano: nos últimos 12 meses, o total de veículos na cidade de São Paulo cresceu 6,7%, quase 16vezes mais que o ritmo de crescimento da população (0,41% ao ano em 2006 e 2007, segundo a Fundação Seade).
As empresas da nossa cidade e da nossa região serão prejudicadas com a restrição aos Veículos Urbanos de Carga (VUCs) anunciadas em abril pelo prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. Já está decretado que a partir de 30 de junho os VUCs não poderão circular na chamada zona máxima de restrição a circulação de veículos (ZMRC) que foi ampliada de 25 km2 para 100 km2.
Assim que foram anunciadas as medidas, a Associação Brasileira de Empresas e Profissionais de Logística (ABEPL) montou um Comitê Emergencial e está se fazendo ser ouvida tanto pelas empresas da nossa cidade e da região, quanto pelo poder público paulistano. Duas reuniões já foram realizadas em São Paulo com o vereador do PSDB, Adolfo Quintas e, no último encontro, ele garantiu uma audiência com o prefeito para que pudéssemos expor a situação da nossa região, o problema que nossas empresas vão enfrentar e algumas idéias para ajudar a minimizar o caos no trânsito paulistano.
A medida do prefeito Gilberto Kassab esbarra em vários impedimentos: para substituir um VUC, as transportadoras terão que utilizar no mínimo três peruas kombis ou seis fiorinos, por exemplo. Sem contar que temos filas de espera para a compra destes veículos, ou seja, em trinta dias, é praticamente impossível trocar a frota de uma empresa.
Para entender melhor como funcionará esta substituição de veículos, imaginemos um caminhão truck, que tem capacidade para 12 toneladas e seu comprimento é de 12,5 metros, consumindo 4 km/litro. As vans, por sua vez, tem capacidade para transportar até 2 toneladas, seu comprimento é de 5,5 metros e seu consumo de combustível é de 8 km/litro. Desta foram, para atender uma de 12 toneladas, ela vai substituir o caminhão truck por seis vans. Façamos as contas: serão 33 metros de veículos (ao contrário dos 12,5 do truck), seis motoristas e prováveis seis ajudantes (ao contrário do truck que precisava de apenas um motorista e um ajudante) e, num percurso de 100 km, o gasto de combustível seria de 75 litros (contra os 25 litros de diesel para o truck).
Não precisa ser matemático para avaliar o impacto econômico que as empresas terão, nem ambientalista, para prever os problemas para o ar já tão poluído de São Paulo.
Outro problema é o das entregas e coletas serem realizadas somente no período noturno. As empresas de Jundiaí já fizeram levantamento junto aos seus clientes e muitos não têm como receber a mercadoria à noite: ou não tem funcionários, ou têm medo da falta de segurança. Enfim, podemos concluir que estes clientes deixarão de comprar os produtos de nossas empresas para buscar fornecedores que atendam às suas necessidades durante o dia.
O que enfrentamos atualmente com o trânsito nas grandes capitais é resultado da falta de planejamento que estamos, pela entidade, alertando desde o ano passado. O “apagão” logístico é uma realidade. Falta planejamento, falta estratégia, falta estudos que avaliem não apenas a situação real, mas que apontem medidas que possam minimizar um problema, sem criar outros.
Jundiaí não é vítima apenas do problema do trânsito de São Paulo, é vítima também do seu próprio trânsito. A nossa cidade está caminhando para uma situação irreversível: a população cresceu e a cidade não acompanhou. Porém a falta de planejamento não é um problema local é nacional. A falta de investimento em infraestrutura de transportes não é um fato novo e isolado é um problema antigo e que vem se agravando a cada dia que passa.
Enfrentamos o problema todos os dias e não temos tempo para sentar e discutir? Vamos, pela ABEPL, envolver a Frente Parlamentar em Defesa da Logística de Jundiaí, os vereadores que dela fazem parte, prefeitura, secretarias pelo bem da nossa cidade, pelo bem do nosso trânsito, pelo nosso direito de ir e vir, no horário, sem chegar atrasado.
Luciano Rocha é presidente da ABEPL – luciano@abepl.org.br







