Eles estão em toda parte. Viajam aos casais ou em grupos, dirigem empresas, são freqüentadores assíduos de restaurantes e espetáculos artísticos, praticam esportes, retornam aos bancos escolares e universitários e cuidam de suas famílias – das quais, muitas vezes, são arrimos.
Constituem-se em um dos mais importantes grupos de consumidores, obrigando os fornecedores de bens e serviços a se adaptarem às suas necessidades especiais, a ponto de receberem, por parte dos departamentos de marketing dessas companhias, a designação genérica de “Poder Cinza”, em razão dos seus cabelos grisalhos.
Há várias décadas, o mundo tem registrado o surgimento de um fenômeno demográfico – o aumento da expectativa de vida em contraste à redução do número de nascimentos – que, por sua vez, foi responsável por criar um outro fenômeno único na história da humanidade: o aumento cada vez maior do número de idosos, saudáveis e ativos, vivendo plenamente a vida.
Para se ter uma idéia do que esse acontecimento significa, os cálculos autuariais – ramo da ciência que estuda os riscos para as companhias de seguros – brevemente indicarão que os custos estimados dos seguros, inclusive e principalmente na área da saúde, devem baixar para a chamada terceira idade. Segundo dados já divulgados pela OMS (Organização Mundial de Saúde), no ano de 2025, o mundo terá muito mais idosos do que crianças.
O Brasil será, então, o sexto país do mundo com o maior número de pessoas na faixa etária da chamada terceira idade. Cerca de 30 milhões, conforme previsto por estudiosos do assunto. No ano de 2007, o número de brasileiros com 60 anos completos ou mais representava um contingente de quase 19 milhões de pessoas, o que, em porcentagem, representa algo perto de 10% da população do país.
Em recentes pesquisas, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) confirmou a tendência de envelhecimento populacional do Brasil, liderado pelo estado do Rio de Janeiro, que já contabiliza quase 13% de idosos em sua população.
Os primeiros programas sociais de amparo à população idosa no Brasil só foram registrados nos anos 30, mas foi apenas em 2003 que o segmento teve sua maior conquista.
Implantado no referido ano, o Estatuto do Idoso prevê uma série de benefícios aos mais velhos. Trata-se de um avanço, mas não restam dúvidas de que os problemas ainda estão longe de serem resolvidos.
Em Jundiaí, os idosos também são muitos. Segundo dados divulgados pelo Conselho Municipal do Idoso, enquanto no Brasil existem 19 milhões de pessoas acima de 60 anos, em Jundiaí esse número já está na casa dos 40 mil. Os dados são reforçados por Marcello Balzan, presidente do Conselho, que lembra que o positivo envelhecimento da população brasileira se deu no prazo recorde de 25 anos, enquanto que nas nações desenvolvidas do resto do mundo, esse fenômeno demorou um século para acontecer.
Em nossa cidade, o atendimento ao idoso é promovido através de programas sociais, entre outros, como o Condomínio do Idoso, a Creche do Idoso e, mais recentemente, com a inauguração do Criju, o Centro de Referência do Idoso, instalado no Complexo Argos.
A cada ano, os programas dirigidos à terceira idade têm de ser ampliados, tanto em sua abrangência quanto em sua diversificação. O administrador público precisa se preocupar não só com a realização de programas e obras necessárias para a cidade, mas, especialmente, em suprir e atender as demandas da sociedade e, conseqüentemente, do desenvolvimento de sua população. Entre elas, as daqueles que, com trabalho e dedicação, ajudaram a construir o nosso presente.
Miguel Haddad é advogado e ex-prefeito de Jundiaí. (www.gestaolocal.org.br)








