O efeito da violência urbana e seus impactos nas locações de galpões em condomínios logísticos

09/08/2017

Por João Carlos Fernandes*

Segundo a Associação Nacional do Transporte de Cargas & Logística, os altos índices de roubo de cargas no Brasil geram um prejuízo anual de R$ 2 bilhões de reais. Entretanto, as estatísticas não apontam o que eu chamo de custo social. A violência psicóloga e muitas vezes físicas a que são expostos colaboradores e executivos de empresas, principalmente aquelas que trabalham com produtos de maior valor agregado.
A violência urbana, tem imposto a uma série de empresas, dos mais diversos seguimentos, a uma nova necessidade: O gerenciamento de riscos. O gerenciamento de riscos envolve uma análise das operações, para a aplicação dos mais corretos procedimentos, treinamentos, e modelos, que possam contribuir ou minimizar as perdas. Os roubos variam de copos de água mineral a pneus, passando por medicamentos, brinquedos, eletrônicos etc. Qualquer tipo de produto passou a ter liquidez.
Mas, qual o impacto real da violência urbana nas locações de galpões em condomínios logísticos?
Há um conceito de que quanto mais próximo do consumidor o centro de distribuição estiver melhor. Certo? Sim, menor custo logístico, maior estrutura urbana etc. Entretanto, as estatísticas apontam que os roubos a cargas crescem nas proximidades ou dentro das áreas urbanas, o que de certa forma, facilita a abordagem dos bandidos e sua condução até a comunidade, uma vez o trecho percorrido é muito pequeno.
A primeira observação que faço: Condomínios mais bem localizados, uns poucos mais afastados das comunidades deverão ter ocupação maior. Galpões localizados em rotas onde a incidência de roubos é maior deverão ter maiores dificuldades de ocupação.
A segunda observação é que cada vez mais as empresas irão exigir dos condomínios, além da segurança armada, sistemas de controle e monitoramento mais rígidos. Quanto mais rígido e moderno o sistema de segurança, mais alto é o custo. Mesmo que saibamos que os custos podem ser compartilhados por várias empresas.
A crise econômica que assola o Brasil há dois anos fez com que os preços das locações em galpões logísticos recuassem. A regra básica de economia: Oferta e procura. Há hoje no atual cenário oportunidades para que empresas que ainda estão fora de condomínios e possuem custos de segurança elevados, a possibilidade de migrar para estes empreendimentos e diminuírem ou ao menos compartilharem com demais condôminos, custos como o de portaria e segurança.
Por outro lado, há uma questão que ainda me incomoda e me parece invisível as estatísticas: Pessoas.
Termino este artigo com uma pergunta para qual eu ainda não tenho uma resposta: De que forma as empresas estão traçando estratégias para amenizar o impacto da violência urbana nas pessoas?
Obrigado!

*João Carlos Fernandes, diretor da Sempre Imóveis Ltda. 15 anos de atuação no setor e especialista em galpões logísticos e industriais

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