Não fale em crise… trabalhe! (3)

16/12/2008

Não sei se a Geografia tem a ver com isso, mas parece que, quanto mais longe do trópico de Câncer, em direção ao Sul, menor a preocupação com a tal crise que dizem estar atingindo o mundo, e que deixa os especuladores em polvorosa, vendo seus investimentos se desmancharem como poeira entre os dedos das mãos.

Lá no Sul do Brasil, não se fala muito de crise, não. O pessoal fala é de investimentos, e não é coisa pequena, não. Os negócios envolvem a duplicação de plantas industriais, instalação de novos empreendimentos, gerando milhares de empregos. O que não é de surpreender, quando nesta tal crise são os países ditos "subdesenvolvidos", "emergentes", "terceiro-mundistas", os que estão socorrendo as matrizes norte-americanas e européias das multinacionais, com maciças remessas de dinheiro para evitar o colapso dos quartéis-generais dessas empresas…

Não é por acaso que, num momento em que as economias do "Primeiro Mundo" estão desacreditadas, com os principais segmentos dessas economias pedindo socorro para tapar os buracos financeiros causados por administradores ineptos e inescrupulosos, e milhares de empregos sendo rifados para mostrar ao mundo que a tal crise é grave, o dólar norte-americano sofre uma valorização cambial expressiva, e o euro não fique tão atrás. Aliás, o único país que conseguiu entrar em colapso com a tal crise fica bem no meio desses dois conglomerados austrais…

Enquanto eles falam em crise, no Sul se trabalha. E é do Sul que chega mais uma boa notícia, divulgada pelo colunista gaúcho Políbio Braga: a pequena cidade portuária de Pelotas pode ganhar em breve um estaleiro de R$ 90 milhões, com a geração de mais 1.500 empregos na construção e mais 650 na fase de operações.

Informa o colunista, com exclusividade, que "a Cia. Câmara de Construções Navais, de Novo Hamburgo (Rio Grande do Sul), está negociando com o governo estadual a ocupação de 50 mil m² no porto de Pelotas, onde quer construir um estaleiro, investindo ali R$ 90 milhões ao longo da primeira fase de quatro anos". Políbio adianta que além de Pelotas, também estão na disputa municípios dos litorais do Rio de Janeiro e São Paulo. E mais: "A empresa está com encomendas até 2015 e necessita com urgência esta definição de área", para construção de embarcações de grande porte e de cabotagem.

O parque de construção naval no Brasil já chegou, duas décadas atrás, a figurar entre os maiores do mundo, depois amargou uma série de erros políticos e administrativos que o atingiram diretamente pela falta de encomendas e financiamentos, e indiretamente pela política de desnacionalização da marinha mercante brasileira. Mas agora, já não mais concentrado no Rio de Janeiro, volta a dar indícios de reflorescimento econômico, e ao que parece, encomendas não faltam. Afinal – e ainda do Sul – chegam mais boas novas: já comentamos em outra coluna a notícia de que a empresa W. Torres prepara grande expansão em sua área de construção naval em Rio Grande. E nem citamos que a Wilson Sons tem investimento programado de R$ 90 milhões, num outro estaleiro a ser instalado no "Superporto de Rio Grande.

A safra de boas novas (em meio à tal da "crise mundial"!) é tão grande, que o espaço desta coluna não basta. Vamos deixar para uma próxima oportunidade os comentários sobre outra região do Brasil, nem tão ao Sul (pois é atravessada pelo Trópico de Capricórnio), onde sobram notícias positivas em termos de investimentos e geração de empregos. Bem ali onde existe o primeiro e maior pólo industrial sul-americano. E que pode duplicar em breve. Sem poluição, o que é melhor ainda…

Carlos Pimentel Mendes é jornalista e edita o site Novo Milênio: pimentel@pimentel.jor.br

 

Fonte: PortoGente – www.portogente.com.br

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