Avaliar a longevidade das organizações empresariais está correlacionado com o seu modelo estratégico e foco de negócios, no respeito de contratos estabelecidos e na boa gestão econômica e financeira. Somente durante as volatilidades do mercado, como a atual conjuntura da crise de crédito americana, com reflexos em todo o mundo é que se torna possível verificar se as empresas são competitivas ou não.
Ao entender o empreendedorismo como alavanca para o desenvolvimento das nações, deve-se compreender que empresas de pequeno porte são responsáveis por inovações. As grandes indústrias são capazes de adquirir estas inovações, e com escala, torná-las acessíveis aos consumidores.
Porém, nos últimos anos, o Brasil foi assolado por modelos econômicos que colocaram em prova a sua capacidade empreendedora e industrial. A voracidade pela arrecadação de impostos e a sua não reversão em benefícios ao meio empresarial é preocupante. Hoje, 36% do PIB esta associado à carga tributária. Este número é típico de países desenvolvidos, mas no caso brasileiro, nota-se uma fragilidade de investimentos, por exemplo, em infra-estrutura logística. Este modelo encarece o sistema produtivo, deixando os nossos produtos menos acessíveis. Esta visão já foi experimentada no passado, quando a economia era praticamente fechada. Quem não recorda da abertura comercial, feita pelo governo Collor? Os produtos nacionais estavam defasados em tecnologia e no seu preço final.
Uma das principais questões é a legislação fiscal, da qual cada estado cumpre a sua, obrigando a existência de uma complexa engenharia tributária e contábil. Por que não adotar o Imposto sobre Valor Agregado, ou uma alíquota única para o ICMS?
Seria mais interessante se o Brasil optasse por um viés menos arrecadador, retirando as amarras do crescimento. Ao analisar o ICMS, as organizações vêm buscando produzir, obviamente, onde o imposto for menor. Justifica-se o parque industrial de São Paulo, como o maior do Brasil, além dos aspectos de arranjos industriais e capacidade consumidora regional.
Para o professor Luigi Zingales, da escola de economia de Chicago, a briga por arrecadação prejudica o desenvolvimento econômico. Países liberais com a presença do estado somente como agente regulatório, vêm crescendo a taxas satisfatórias, quando comparados aos países com visão estatal.
Ao optar por incentivos fiscais, por exemplo, no desenvolvimento o conceito de cidades aeroporto e zonas especiais de livre comércio, países como Estados Unidos e Inglaterra estimulam a lucratividade das empresas. Em Amsterdã, as organizações que optaram em realizar negócios na região do seu aeroporto, obtiveram um ganho de 62% em lucratividade.
Logo, por mais que as empresas adotem modelos estratégicos, visão de longo prazo, respeitem seus fornecedores e implementem uma gestão financeira adequada, a participação do estado é pesada, além dos desdobramentos da atual infra-estrutura logística, prejudicando a capacidade por inovações, produção em escala e investimentos. Logo, estaria o Brasil no caminho correto? Basta ver a experiência de outros paises.
Hugo Ferreira Braga Tadeu é professor: hugofbraga@gmail.com . Fonte: Portal NewsComex








