Gestão de estoque: o segredo do sucesso no varejo também reside no dinamismo dos depósitos

24/04/2018

Por Pedro Ribeiro*

Toda empresa que trabalha com revenda de produtos e demanda a formação de estoques tem o desafio de comprar e vender produtos no momento correto, de modo a evitar sua venda de forma desvalorizada e posterior ao seu pagamento junto ao fornecedor.

Uma vez que a atividade central é a revenda de produtos, não vender significa estoque empoeirando dentro da empresa, que por sua vez significa dinheiro parado não rentabilizado.

Infelizmente, há muitas empresas apenas focando no monitoramento da receita em curto prazo, sem olhar para o comportamento dos estoques e o seu prazo de pagamento. Aí mora a maior armadilha de uma deficitária gestão de estoque.

Se esta é a realidade da sua empresa ou caso queira se prevenir deste grande equívoco, entenda que há três pilares fundamentais na gestão de sua empresa, seja ela qual tamanho ou segmento for: fluxo de caixa, gestão de estoque e atendimento ao cliente. E acredite: a gestão de estoque está presente em cada pilar.

Esse tipo de gestão demanda a existência de um controle adequado sobre os processos de inventário, cadastro, distribuição, performance de venda e definição de sortimento. Confira a correlação entre eles e reconheça a necessidade do entendimento holístico destes processos:

Inventário: nesta etapa o varejista deve garantir a correspondência daquilo que tem fisicamente no estoque e registrado no sistema (registro lógico). Isso porque o abastecimento, a distribuição e a precificação dos produtos são realizados com base no volume de estoque disponível (consultado via sistema);

Cadastro: cadastros incorretos podem gerar avaliações incorretas sobre a existência de produtos, bem como sobre o volume disponível (quantidade);

Distribuição: a alocação indevida de volumes entre os pontos de venda de um varejista pode gerar acúmulo de estoque em algumas unidades e falta de estoque em outras (desbalanceamento de estoque);

Performance de venda: o monitoramento adequado da performance de venda permite uma resposta mais ágil do varejista na correção de preços e no abastecimento, a fim de promover a melhor performance do estoque;

Definição de sortimento: a definição de um sortimento de produtos inadequados para o perfil de consumo do público alvo da loja, pode gerar estoque parado dada a baixa performance de vendas. Nem sempre é possível acertar nessa definição, muitas delas são de certa forma apostas, mas é algo que precisa ser absorvido logo nas primeiras experiências.

Todos esses processos citados abrem um leque de indicadores que, impreterivelmente, devem ser monitorados na gestão de estoques. A correta implantação de indicadores proporciona à empresa muito mais do que apenas apurar resultados. A cultura de mensuração mostra com assertividade as etapas que escondem os erros, onde estão os desperdícios, os gargalos e os excessos.

Indicadores com Giro de Estoque, Cobertura de Estoque, Overstock, Perda de Inventário, Aging e Ruptura podem ajudar a empresa a melhor identificar a qualidade de seu estoque e as correções de rotas que devem ser assumidas, por exemplo, para ajustar o volume de compras de dado produto ou mesmo de mantê-lo no sortimento dada sua performance comercial e consequente presença onerosa nos estoques.

Importante pontuar o PMP, que é um indicador que aponta o prazo médio dos pagamentos realizados ou a realizar (de acordo com o prazo de vencimento) para os fornecedores. Em geral, é calculado de acordo com o aging entre o recebimento da mercadoria e o vencimento do boleto, de forma proporcional ao valor para cálculo da média geral.

Para o varejista é crucial que a venda do produto ocorra antes da necessidade de pagá-lo ao fornecedor, isso porque não gera a necessidade de captação de recursos para esta finalidade. A falta de sincronia entre o prazo de venda e o prazo de pagamento reduz a disponibilidade financeira do varejista e sua capacidade de realizar novas compras para repor seus estoques.

E diante de tudo o que foi abordado, é preciso ressaltar a parte principal de toda esta cadeia: o cliente, que é impactado de forma direta e indireta pela gestão ineficiente de estoque. O produto adquirido pelo varejista mas não disponibilizado para o cliente por uma falha na gestão do estoque gera insatisfação pela ruptura, o que afeta diretamente o seu consumidor. Já a restrição de fluxo de caixa, que a má gestão de estoque proporciona, limita a reposição e/ou compra de novos produtos, o que alcança indiretamente seu cliente.

Entender a importância de uma eficiência na gestão de estoques já é meio caminho andado para o varejista ampliar sua empresa e aperfeiçoar sua prestação de serviço. Agora, implantar a gestão de forma coesa e perene é uma espécie de passaporte para a empresa galgar patamares cada mais elevados de organização, lucratividade e expansão.

*Pedro Ribeiro é sócio fundador da Peers Consulting, consultoria especializada em gestão com forte atuação no segmento de varejo.

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