Não se discute que o trânsito em São Paulo vem sofrendo profunda deterioração e se transformou em grave problema, demandando medidas urgentes para minorar o sofrimento da população paulistana em seus deslocamentos e reduzir os custos adicionais para empresas e cidadãos, criados pelos constantes congestionamentos.
Sabemos que a solução desse problema exige pesados investimentos e demanda tempo, pelo que se deve buscar alternativas de curto prazo que contribuam para dar maior fluidez ao trânsito, enquanto se espera pelos efeitos dos investimentos em curso – e a serem feitos – para melhorar as condições estruturais do deslocamento de pessoas e de cargas em São Paulo.
É preciso, contudo, que as alternativas considerem a relação custo/benefício, para que não a solução de um problema sério como os congestionamentos não crie outros de igual ou maior gravidade, ou que se imponha custos excessivos a alguns setores. Não se pode ignorar que em uma metrópole como São Paulo operam milhares de empresas de diversas naturezas, que dependem de um fluxo permanente de suprimentos, sem o que suas atividades podem ser seriamente comprometidas, com reflexos negativos sobre a economia e o abastecimento da população.
Aextensão da zona de restrições para a circulação de caminhões para um raio de 100 quilômetros quadrados durante o horário expandido (das 5 às 21 horas) seguramente afetará o suprimento das empresas em geral e trará não apenas custos adicionais para o recebimento de mercadorias à noite, como implicará em maiores riscos, tanto para os transportadores como para os destinatários, impondo pesados sacrifícios aos pequenos empresários.
Agrava o problema da área e horário de proibição expandidos o fato de não se permitir a utilização dos chamados VUCs – Veículos Urbanos de Cargas , com os quais as empresas em geral se prepararam para suprir suas necessidades, o que, a par das dificuldades que acarretará, não se afigura como racional para o fim a que se destina: diminuir o número de veículos em circulação na cidade nos horários de restrição. Substituir os VUC s existentes por outros menores acarretará maior ocupação das ruas por pequenos furgões em número várias vezes superior, com prejuízos para o trânsito e aumento dos custos para as empresas.
A manutenção dos VUC s (nas dimensões aceitas pelos técnicos) durante um período de avaliação é indispensável, não apenas para possibilitar o suprimento normal das empresas, como também para permitir a amortização dos investimentos realizados na compra desses veículos. Deve-se ter presente também a necessidade de se criar condições diferenciadas para o transporte de determinados tipos de produtos que, por suas características, não podem ser enquadradas nas normas gerais.
Acriação de uma Comissão para analisar esses casos é muito importante. Mas essa comissão – que precisaria contar também com representantes do setor privado – deveria funcionar antes da entrada em vigor das restrições e não depois, quando possam estar provocando graves prejuízos às atividades empresariais. Para tanto, é necessário aumentar o prazo para a entrada em vigor das normas referentes à carga e descarga na região abrangida pelas restrições.
Com diálogo e bom senso pode-se chegar a um consenso sobre a melhor solução para minorar os problemas de trânsito de São Paulo, sem tumultuar o funcionamento das atividades que fazem da Capital a cidade pujante que orgulha a todos os paulistanos.
Fonte: www.dcomercio.com.br








