Como resolver o problema do last mile e ainda manter a sustentabilidade no varejo digital? 

12/12/2022

* Caio Zamboni é responsável pela área de crescimento e operações da Hive 1,  uma startup de tecnologia para logística criada visando revolucionar o last mile e melhorar a experiência do cliente de e-commerce

São mais de  155 milhões de pessoas conectadas à Internet no Brasil. Os hábitos de consumo também mudaram e o e-commerce está, sem dúvidas, mais presente na vida de todos. Uma pesquisa da Comscore, deste ano, sobre as tendências de comportamentos digitais, revelou que as estamos gastando cada vez mais tempo no Retail. Tanto que ele atingiu a sua melhor performance dos últimos dois anos, com 107% de aumento de usuários únicos navegando na categoria no período.  Até 2025, segundo outro relatório da Insider Intelligence, as vendas on-line em todo o mundo devem ultrapassar US$ 7 trilhões até 2025 (Insider Intelligence).

Por outro lado, esse aumento de demanda trouxe consigo uma série de desafios para quem atua no e-commerce e para quem faz a logística de todo esse processo. Certamente, eles precisam ser superados para garantir o nível do serviço em todo o processo, em especial no last mile.

Afinal, esta última milha requer muita atenção porque é nesta etapa que a empresa consegue, ou não, fidelizar um cliente. Sem falar que cerca de 7% do faturamento de um e-commerce é investido nessa etapa.

Mas, se não bastasse esse crescimento, enfrentamos um cenário de pandemia, que juntamente à complexidade na cadeia logística com a entrada de novos agentes, proporcionaram inúmeros desafios de infraestrutura.

Lidar com a gestão de todas as etapas é importante. Se algo ocorrer, por exemplo, com relação à ordem de serviço dos transportes ou se algum problema de cross docking for detectado no centro de distribuição, afeta indiretamente o last mile, seja em atrasos ou em erros. O monitoramento da entrega, a oferta de informações detalhadas sobre o status de um pedido e de todos os parâmetros de qualidade que envolvem a entrega são desafios também na última milha.

Além dessa falta de transparência, temos o aumento de veículos com impacto no trânsito e emissão de poluentes no meio ambiente e a necessidade de investimento em mão de obra especializada para entregas, tanto no first, como no last mile, impactando certamente o setor.

É fato que o modelo atual não está pronto para atender o crescimento do número de entregas com garantia de nível de serviço ao consumidor final e rentabilidade às lojas online e transportadoras. Em especial, quando falamos em custos. Ao colocarmos tudo na ponta do lápis, estima-se que ele deva arcar com 30% a 50% dos custos do valor total do transporte. Lembrando que com o aumento no preço dos combustíveis, estes números podem ser ainda mais assustadores.

A questão é: Como endereçar esses desafios? Encontrar soluções não é uma tarefa tão fácil assim. Até mesmo por esse boom recente do e-commerce, o last mile ainda gera muitas incertezas e as empresas de transporte ainda estudam as melhores alternativas para solucionar esses problemas.

O mercado busca por soluções – e precisa delas – que ajudem a melhorar a eficiência na entrega, porém esbarra em tecnologias caras e não transformadoras. E, na tentativa de resolver toda essa equação e atender ao aumento de demanda, as empresas acabam dedicando mais esforços para encontrar formas de escalar sua mão de obra, expandir suas frotas, implementar melhorias operacionais no last mile. Porém, sem nenhuma inovação.

Com isso, além dos problemas não cessarem, algumas vezes, eles só aumentam. A começar que, mais veículos nas ruas, significam um aumento considerável não só nos custos, como na emissão de CO₂.

Nesse sentido, o uso de carro elétrico tem até emergido como uma iniciativa importante, mas ainda não é o bastante. Mesmo por que, além de ser mais caro que o convencional, apesar de rodar limpo, a produção de baterias e sua recarga podem gerar emissão de CO₂. Além de não resolver os demais problemas que existem envolvidos nesta etapa.

Os aparelhos de GPS, rastreadores e softwares que fornecem dados em tempo real e garantem uma logística mais inteligente, também são uma alternativa. Mas, os resultados de redução de custos aparecerão a longo prazo. Ou seja, ainda não estamos falando de medidas realmente eficazes e suficientemente resolutivas.

Parece até clichê quando falamos isso, mas a saída está em agregar tecnologias, combinadas a pessoas. A moda da uberização já transformou o modelo de negócio de diversos setores. Refiro-me a plataformas multilaterais que conectam empresas a pessoas comuns. E, agora chegou a vez do e-commerce aderir, de uma maneira simples e trazendo benefícios para todas as pontas. Já parou para pensar nisso?

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