A vocação do Porto de Santos

03/08/2014

Depois de crescer anos a fio sem muitas regras e na dependência das necessidades de seus grandes usuários, o Porto de Santos pretende estabelecer um plano para apontar a demanda de movimentação de cargas até 2030. Esse trabalho chamado de Plano Mestre, que vai exigir cinco meses de estudos e discussões, deverá identificar a vocação do complexo portuário santista, definindo as cargas mais movimentadas e os investimentos necessários para viabilizar a sua logística.

Conduzido por técnicos da Secretaria de Portos (SEP) e da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), o estudo servirá de base para a elaboração do novo Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ), que, entre outras atribuições, deverá estabelecer novos critérios para o desempenho das operações dos terminais arrendados dentro dos parâmetros da nova Lei dos Portos (nº 12.815/13).

O que se espera é que o novo PDZ não tenha o mesmo destino daquele que está em vigência e que, realizado em 2006, não foi levado em conta pelo próprio governo federal, inclusive, na questão dos terminais graneleiros na Ponta da Praia. Como se sabe, o atual PDZ já defendia o remanejamento dos terminais de grãos para a entrada do cais santista, entre a Alemoa e o Valongo, embora hoje o consenso seja que o destino dessas instalações deveria ser a área continental de Santos, local de pouca densidade urbana.

Essa é, porém, uma questão que precisa ser mais bem avaliada porque a vocação do Porto de Santos seria a de escoadouro e receptor de mercadorias de alto valor agregado e não de granéis. E que a situação atual só ocorre em função do atraso que se registra no desenvolvimento da malha viária no interior do País. Tivesse sido a BR-163 já asfaltada em sua totalidade, não haveria sentido em que os produtores do Centro-Oeste escoassem as safras de soja e milho pelos portos de Santos, Paranaguá e São Francisco do Sul-SC, fazendo um percurso mais longo, caro e congestionado.

Com investimentos públicos e privados, será possível criar talvez o maior corregedor logístico intermodal do País, a partir do aproveitamento da BR-163 e da hidrovia Tapajós-Amazonas, o que representará grandes ganhos de frete, tempo e eficiência de transporte. Para fechar o círculo, o ideal seria que houvesse   uma eficiente opção ferroviária até os portos fluviais do Pará, onde haveria transbordo da carga para as barcaças que desceriam o Tapajós até Santarém e Vila do Conde, em Barcarena. Desses portos, a carga seria facilmente transferida para navios Post Panamax com destino à Europa e Ásia.

Obviamente, com esse corredor funcionando mesmo em épocas de chuvas – de janeiro e julho –, os ruralistas jamais procurariam os portos do Sudeste e do Sul. Isso não só contribuiria para a diversificação dos portos nacionais como evitaria que tanto Santos como Paranaguá e outros portos investissem em estruturas que, mais tarde, correm o risco de ser abandonadas ou sucateadas.

O que se espera do Plano Mestre e do novo PDZ é que determinem não só o potencial de crescimento do cais santista e das suas instalações como as cargas que devem ser movimentadas nas duas margens do Porto. E mais: que o novo PDZ seja seguido à risca.


Milton Lourenço – Presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). fiorde@fiorde.com.br

 

Compartilhe:
Operação de fulfillment do Grupo Posthaus reduz custos logísticos de marcas de e-commerce
Operação de fulfillment do Grupo Posthaus reduz custos logísticos de marcas de e-commerce
SimpliRoute convida profissionais de logística para contribuírem com estudo sobre o setor no Brasil
SimpliRoute convida profissionais de logística para contribuírem com estudo sobre o setor no Brasil
Mercedes-Benz lança novos caminhões Atego para operações mistas e fora de estrada na Agrishow 2026
Mercedes-Benz lança novos caminhões Atego para operações mistas e fora de estrada na Agrishow 2026
Ultracargo, Inpasa e PBio consolidam operação de exportação de biocombustíveis pelo Porto de Aratu
Ultracargo, Inpasa e PBio consolidam operação de exportação de biocombustíveis pelo Porto de Aratu
VLI investe R$ 80 milhões no Terminal Portuário São Luís, MA, e renova parceria logística com a bp
VLI investe R$ 80 milhões no Terminal Portuário São Luís, MA, e renova parceria logística com a bp
Velox investe em inteligência artificial para acelerar resposta aos sinistros do transporte de cargas
Velox investe em inteligência artificial para acelerar resposta aos sinistros do transporte de cargas

As mais lidas

01

Coamo e Yara firmam acordo para estudar operações no terminal portuário de Itapoá, SC
Coamo e Yara firmam acordo para estudar operações no terminal portuário de Itapoá, SC

02

MRS Logística e DP World criam solução logística multimodal para exportações do Centro-Oeste
MRS Logística e DP World criam solução logística multimodal para exportações do Centro-Oeste

03

Dalca implementa automação logística com robôs autônomos em unidade da Suzano no MS
Dalca implementa automação logística com robôs autônomos em unidade da Suzano no MS