Um dos últimos países europeus que abandonou o marxismo foi a Albânia, já na época a nação mais pobre do continente. O governo local, para não deixar a população ser contaminada por influências exteriores, simplesmente fechou suas fronteiras e comunicação com o mundo. O preço dessa louca aventura ainda está sendo pago.
O exemplo oposto vem da China e Índia, duas economias com tradição estatista que resolveram aproveitar o que o mundo oferece de bom em termos de conhecimento, incentivando seus jovens a estudarem no exterior. Certamente essa política de internacionalização da inteligência é um dos fatores determinantes do fato de essas duas nações estarem liderando o crescimento econômico mundial contemporâneo.
E o Brasil, a quantas anda nesse sentido? De acordo os dados do Banco Central, nada bem. No ano passado, a despesa contabilizada com viagens internacionais para fins educativos foi de US$ 106,6 milhões, uma queda de 5,7% sobre o gasto de 2006. Nos primeiros quatro meses de 2008, a retração é ainda mais pronunciada: 69,6% em relação ao mesmo período de 2007.
A informação é tão absurda que podemos até imaginar de que se trata de alguma distorção estatística do Bacen. Mas apesar deste órgão do governo ser antipático por nos encher de juros, suas bases de informação costumam ser muito bem trabalhadas e precisas.
Mesmo assim, para tirar a prova, nada como uma consulta ao CNPq, que libera bolsas de estudos ao exterior. O resultado foi ainda mais espantador: em 2002 a instituição federal liberou milhões R$ 55,7 milhões para esse fim. Em 2006 (último dado disponível) a verba caiu para R$ 25,3 milhões, ou menos da metade, sem descontar a inflação.
Em termos mais palpáveis, o número de bolsas para doutorado fora do Brasil caiu de 33 mil para relés 7,5 mil no espaço de tempo em questão. A Capes, mesmo tendo uma participação mais modesta no envio de estudantes ao mundo de fora do Brasil, também não mostra uma dinamicidade muito louvável: no ano passado patrocinou 669 estudantes de doutorado, contra 719 quatro anos antes.
Se isso não é isolamento, alguém diga, por favor, do que se trata.
Até prova em contrário fica transparente que o desenvolvimento científico exterior está completamente ausente das prioridades oficiais brasileiras. De acordo com as informações veiculadas no próprio site do CNPq, um doutorando no exterior recebe US$1.100 por mês (equivalente a algo em torno de R$ 1.800), valor esse que não torna a vida nada fácil em países da América do Norte e União Européia ou outros centros realmente importantes de formulação científica.
Por exemplo, se fizéssemos uma realocação orçamentária de 5% da Bolsa Família para o pagamento de cursos em outros países, teríamos vagas disponíveis para nada menos do que 19 mil doutorandos.
Talvez a fonte sugerida de deslocamento de verba não seja a mais simpática. Mas seguramente no orçamento federal existem dotações muito menos prioritárias do que o desenvolvimento científico e a educação de ponta.
Seria cinismo, ou falta de vergonha na cara, no âmbito de um Estado que arrecada cada vez mais, dizer que falta dinheiro para asfaltar o conhecimento científico no Brasil.
Enquanto nos fechamos para o conhecimento; nos “albanisamos” em pleno século XXI, os demais povos do planeta vão encontrando o seu caminho de prosperidade… sempre vinculado ao intercâmbio de cérebros.
Eduardo Starosta é economista: eduardostarosta@uol.com.br








