Agenda ESG diminui acidentes nas estradas, emissão de poluentes e até custos no transporte

27/03/2023

Quando saímos de casa e esquecemos a luz acesa, gastamos mais energia do que o necessário, correto? A mesma lógica ocorre quando deixamos o carro parado com o motor ligado enquanto fazemos uma entrega ou conversamos com alguém do lado de fora. A ociosidade de um motor, inclusive, além de elevar o consumo de combustível, representa maior emissão de CO2 e, naturalmente, impacta o meio ambiente, aumentando o aquecimento global e o efeito estufa.

Agora, imagine concentrar todas as informações do veículo em um software que, além de apresentar os custos operacionais recorrentes da usabilidade e logística, permite fazer a gestão ambiental e calcular o impacto causado ao meio ambiente, ademais, oferecer soluções para mitigar os problemas. Sim, isso é possível e já vem sendo implantado desde 2018 pela Infleet, empresa baiana de softwares de gestão de frota corporativa.

A logtech nasceu com o DNA do ESG – Meio Ambiente, Social e Governança, em uma época em que muito se falava sobre o tema e pouco se colocava em prática. Um retrato diferente dos dias atuais, em que as práticas de ESG se tornam paulatinamente a bússola de diversas empresas no Brasil e no mundo.

Além de gerenciar dados operacionais de veículos, como cumprimento da jornada, modo de condução dos veículos, custos de manutenção e autonomia veicular, a plataforma também lança mão das práticas ambientais, sociais e de governança para reduzir custos, aumentar a reputação, garantir investimentos e competitividade e, portanto, atrair stakeholders.

“Do ponto de vista econômico, a plataforma reduz custos operacionais, como multas, manutenção e combustível. Tem veículos que chegam a reduzir até 20% a emissão de gases poluentes e isso reflete diretamente no aspecto ambiental. No aspecto social, a tecnologia previne acidentes por meio do modo de condução do motorista, verificando fadiga, sonolência ou distrações que comprometem a vida”, destaca Victor Cavalcanti, CEO da Infleet.

A chave para alcançar os resultados práticos e mensuráveis das ações de ESG é o uso de tecnologias de ponta acoplados ao sistema. Uma delas é a videotelemetria, sistema de segurança que utiliza a inteligência artificial (IA) para fazer a gestão dos condutores em tempo real. O objetivo é identificar se ele está dirigindo de maneira segura ou se comete algum tipo de imprudência, como ausência de cinto de segurança e uso de celular. O resultado desse monitoramento tem gerado uma economia de 40% em custos de infrações de trânsito para empresas e reduzido em 60% as colisões e 80% as distrações no trânsito, a exemplo do uso de celular. “É um efeito dominó na cadeia de valor do ESG e que deságua em uma vantagem competitiva”, sublinha Victor.

Outro benefício da plataforma é que é possível identificar a qualificação dos motoristas. “Com as métricas e indicadores, os clientes conseguem verificar quem está atrás do volante, quais os melhores motoristas e aqueles que precisam ser treinados para determinada função. Esse cuidado é necessário para prevenir situações indesejadas e garantir o desempenho final e os resultados nos negócios”, frisa Cavalcanti.

Expectativas

A Infleet vem conquistando um número robusto em receita. Ano passado, a empresa cresceu 200% em relação a 2021. Este ano, a meta é de 150%, um pouco aquém do que o ano anterior, porém, com foco maior no seu posicionamento enquanto agente social, de maneira ética e com maior interesse na reputação dos parceiros.

Hoje, a logtech tem apoio de investidores relevantes, como a DOMO Invest e a Bossanova. Em breve, ela receberá um novo aporte. A empresa atende clientes que têm de três a 3 mil veículos na base. No destaque do portfólio estão o Grupo SBF (Centauro), Buser, distribuidoras Coca-Cola, Heineken e Nestlé, além de médias e pequenas empresas. Um dos objetivos da Infleet este ano é manter parcerias com organizações que estão, de fato, empenhadas no tripé da sustentabilidade. “A gente às vezes acha que ESG é apenas uma sigla bonita e com discurso bonito de pano de fundo. Mas, na prática, é uma ferramenta poderosa. Tem causado um efeito revolucionário, reduzindo acidentes, poluentes e custos das empresas. E ainda vai surpreender muito nos próximos anos”, encerra o CEO.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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