A GWM realizou no Brasil o primeiro transporte de carga com um caminhão movido a célula a combustível de hidrogênio da América Latina. Na primeira rodagem com carga em território brasileiro, o veículo da GWM Hydrogen tracionou uma carreta cegonheira carregada com carros e SUVs eletrificados da própria marca, em um trajeto entre o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na Cidade Universitária da USP, e o Autódromo de Interlagos, em São Paulo. A operação representa também a primeira demonstração do caminhão em uma situação real de transporte de carga no Brasil.
O caminhão integra os esforços da companhia para avaliar soluções de transporte pesado com emissão zero. Segundo Davi Lopes, Head da GWM Hydrogen Brasil, a tecnologia combina características de um veículo elétrico com a autonomia proporcionada pelo hidrogênio. “Estamos falando de uma tecnologia que une o melhor dos dois mundos: a robustez e confiabilidade de um caminhão elétrico e a autonomia proporcionada pelo hidrogênio verde com um processo de abastecimento rápido e zero emissão do tanque à roda”, destaca.

Autonomia de até 500 km
Desenvolvido pela GWM Hydrogen, o veículo é elétrico e utiliza uma célula a combustível, conhecida pela sigla FCEV. O sistema utiliza o hidrogênio armazenado nos cilindros e o oxigênio presente no ar para gerar eletricidade a bordo, que alimenta o motor elétrico. Nesse processo, a emissão no escapamento é apenas vapor d’água (H2O).
O modelo possui uma bateria de 105 kWh e um conjunto de cilindros de fibra de carbono com capacidade para armazenar até 40 kg de gás hidrogênio, a uma pressão de até 350 bar. O caminhão também conta com sistema de recuperação de energia durante frenagens e desacelerações, permitindo o reaproveitamento da energia em situações como descidas de serra.
O conjunto desenvolve até 400 kW, equivalentes a 544 cv, e 2.700 Nm de torque. De acordo com a GWM, esses números atendem às exigências de operações de transporte pesado. Com os cilindros abastecidos, a autonomia pode chegar a 500 km, enquanto o reabastecimento é realizado em poucos minutos. O sistema permite ainda operação contínua por mais de dez horas.
Outro aspecto é a capacidade de carga. O caminhão apresenta Peso Bruto Total (PBT) de 49 toneladas e peso vazio de 10,8 toneladas, aproximadamente 500 kg abaixo da média dos concorrentes, segundo as informações divulgadas pela empresa. Na prática, a redução de peso amplia a capacidade útil de carga, mantendo a estrutura necessária às aplicações de transporte pesado.
Como não utiliza combustão para gerar a energia responsável pela movimentação, a tecnologia não produz emissões locais de gases de efeito estufa nem de poluentes associados aos motores convencionais, como NOx, hidrocarbonetos (HC), monóxido de carbono (CO) e material particulado.
A tecnologia utilizada pela GWM Hydrogen tem como base a experiência da FTXT, subsidiária da GWM na China responsável pelo desenvolvimento de tecnologias de células a combustível e componentes para aplicações com hidrogênio. Fora da China, a empresa utiliza a marca GWM Hydrogen para suas atividades nesse segmento.
Segundo a companhia, mais de 30 mil veículos com tecnologias semelhantes já circulam na China. Entre as operações citadas está a colocação de mais de 500 novos caminhões a hidrogênio em circulação na cidade de Baoding, elevando o total para mais de 2.000 unidades. Somente em 2025, foram mais de 1.000 novos veículos.
Os modelos foram projetados para operar em condições consideradas severas. As células a combustível suportam partidas a frio em temperaturas de até -30°C, além de aplicações que exigem autonomia e elevada capacidade de carga. Os veículos também permitem reabastecimento em poucos minutos e operação contínua por mais de dez horas, inclusive em temperaturas extremas.
Com a primeira operação realizada no Brasil, a GWM começa a avaliar a aplicação dessa tecnologia nas condições do mercado nacional, tomando como referência a experiência acumulada com os veículos movidos a hidrogênio no mercado chinês.

Parceria entre GWM e IPT envolve testes e infraestrutura de abastecimento
A primeira operação de transporte de carga foi viabilizada também pela parceria entre a GWM e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). A colaboração permite a realização de testes e estudos conjuntos relacionados à segurança, ao desempenho e à viabilidade da utilização do hidrogênio em veículos pesados.
O Laboratório de Hidrogênio do IPT possui duas Hydrogen Refueling Stations (HRS), ou estações de abastecimento de hidrogênio. Uma delas opera a 700 bar e é destinada a veículos leves; a outra trabalha a 350 bar e atende veículos pesados.
Com essa infraestrutura, a GWM dispõe de um ponto de abastecimento para o caminhão a hidrogênio em São Paulo. A estrutura também contribui para os testes e para a avaliação da aplicação da tecnologia no país.
O acordo entre a GWM e o IPT contempla ainda novas possibilidades de pesquisa e desenvolvimento relacionadas ao hidrogênio, incluindo testes de tanques de alta pressão e estudos sobre segurança e eficiência energética. A colaboração está alinhada às diretrizes do Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), que incentiva o desenvolvimento das bases tecnológicas e a cooperação entre os setores público e privado.
“O hidrogênio é mais do que um vetor energético, se trata de um vetor de desenvolvimento social, ambiental e tecnológico para o Brasil. Trabalhar ao lado do IPT, uma das principais instituições de pesquisa do país, é um passo decisivo para tornar o caminhão a hidrogênio uma realidade no mercado nacional”, afirma Davi Lopes, Head da GWM Hydrogen Brasil.
A operação realizada em São Paulo inicia, assim, a avaliação prática do caminhão a hidrogênio em condições brasileiras e envolve a combinação entre a experiência internacional da GWM, a infraestrutura de pesquisa do IPT e o desenvolvimento de tecnologias relacionadas ao uso do hidrogênio no transporte pesado.










