Propostas para fortalecer a logística brasileira são apresentadas pela ABOL aos presidenciáveis

A Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) apresenta às coordenações das campanhas dos candidatos à Presidência da República uma Carta Aberta com quatro propostas consideradas prioritárias para o avanço da logística brasileira e que, segundo a entidade, deveriam ser endereçadas pelo próximo governo no período de 2027 a 2030.

Em um ano eleitoral marcado pelo debate entre continuidade e mudança, a ABOL defende avanços que proporcionem maior previsibilidade e melhores condições para o desenvolvimento do ecossistema logístico. Entre as prioridades estão a consolidação da intermodalidade e da multimodalidade como políticas públicas permanentes; a construção de um ambiente regulatório e tributário mais simples e estratégico; a criação de um programa nacional para enfrentar a escassez de mão de obra e preparar o setor para os avanços em inteligência artificial, automação e robotização; além de incentivos à descarbonização, aos combustíveis sustentáveis e à adaptação às mudanças climáticas.

Marcella Cunha: “O próximo ciclo representa uma oportunidade para consolidar uma estratégia voltada à expansão dos investimentos, à redução do Custo Brasil, à incorporação de inovação onde ela couber, ao fortalecimento da sustentabilidade e à elevação da atratividade do País”

A agenda apresentada pela entidade parte do entendimento de que a logística é um dos pilares da economia brasileira. “Sem o funcionamento adequado das atividades de transporte, armazenagem e gestão de estoques, cadeias de abastecimento de diferentes setores podem ser afetadas. Por isso, a ABOL defende que o tema permaneça entre as prioridades das autoridades e ocupe posição estratégica nos planos de governo”, afirma a diretora executiva da entidade, Marcella Cunha.

A relevância da pauta também está relacionada à participação dos operadores logísticos na economia. Segundo dados apresentados na Carta Aberta, o segmento, responsável pela prestação de serviços integrados de transporte por qualquer modal, armazenagem e gestão de estoques, emprega 2,7 milhões de pessoas, considerando postos diretos e indiretos. O setor movimenta mais de R$ 247 bilhões em faturamento anual e responde por mais de R$ 57 bilhões em arrecadação aos cofres públicos. Os operadores também representam mais de 20% dos gastos com transporte e armazenagem no país.

Multimodalidade é apontada como eixo para as cadeias de abastecimento

Na área de infraestrutura, a ABOL defende que a multimodalidade seja tratada como eixo estruturante para ampliar o desempenho das cadeias de abastecimento. Entre as medidas propostas estão a criação de uma Governança Nacional da Multimodalidade, a modernização das conexões entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos e o avanço da integração legal e documental entre os diferentes modais.

A Associação também chama atenção para a necessidade de ampliar a capacidade de silos e estruturas de armazenagem, especialmente diante dos sucessivos recordes de produção do agronegócio. “Nesse cenário, a infraestrutura precisa acompanhar o crescimento da movimentação de cargas e permitir maior integração entre as diferentes etapas das cadeias produtivas”, diz Marcella.

O documento aponta ainda um espaço para ampliar a utilização de serviços intermodais e multimodais dentro do próprio mercado. Atualmente, segundo a ABOL, apenas 31% dos operadores logísticos conseguem efetivamente oferecer esse tipo de serviço. Para a entidade, elevar essa participação depende de investimentos em infraestrutura, mecanismos de financiamento e maior previsibilidade normativa.

A Carta Aberta destaca também que o Brasil investe cerca de 0,7% do PIB ao ano na rede de transportes, enquanto estimativas citadas pela Associação indicam a necessidade de aproximadamente 2% para conservar, modernizar e ampliar a capacidade da infraestrutura existente.

No ambiente regulatório e tributário, a ABOL recomenda a simplificação das obrigações, a integração dos sistemas dos órgãos públicos e a avaliação dos impactos de novas regras antes da criação de exigências adicionais. “Considerando também a Reforma Tributária em curso, a entidade defende a preservação do dinamismo dos diferentes modais e a manutenção de incentivos à automação, à robotização, à inteligência artificial e à digitalização”, ressalta a diretora executiva.

Entre as sugestões apresentadas está ainda a criação de mecanismos semelhantes a uma “Lei do Bem para a Logística”, com o objetivo de estimular investimentos em tecnologia e inovação no setor.

Outro ponto abordado pela Carta é a atração e retenção de profissionais. Diante da escassez de motoristas, colaboradores de armazéns e profissionais especializados, a ABOL propõe a criação de uma Política Nacional para o Futuro do Trabalho na Logística.

A iniciativa prevê a articulação entre governo, empresas, academia, trabalhadores e instituições de ensino. Além disso, contempla ações de qualificação e requalificação profissional e estímulos à adoção de tecnologias como inteligência artificial, automação e robotização, que podem complementar ou suprir lacunas de mão de obra em determinadas atividades.

Na agenda ambiental, a Associação solicita uma transição energética que considere as diferentes realidades operacionais, geográficas e econômicas das organizações. Entre as propostas estão o estímulo à produção e à comercialização de combustíveis sustentáveis, a expansão de corredores logísticos verdes e o fortalecimento de linhas de financiamento para veículos e equipamentos de baixo carbono.

A entidade também propõe a criação de uma estratégia nacional de adaptação da infraestrutura aos eventos climáticos extremos. A medida considera os impactos que alterações nas condições climáticas podem provocar sobre estradas, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos, armazéns e demais estruturas utilizadas pelas cadeias de abastecimento.

“Ao reunir esses pleitos, a ABOL busca colocar a logística brasileira no centro do planejamento de longo prazo do país. O próximo ciclo representa uma oportunidade para consolidar uma estratégia voltada à expansão dos investimentos, à redução do Custo Brasil, à incorporação de inovação onde ela couber, ao fortalecimento da sustentabilidade e à elevação da atratividade do País”, finaliza Marcella.

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