O MoveInfra, movimento formado por seis das principais empresas de infraestrutura do país — EcoRodovias, Hidrovias do Brasil, Motiva, Rumo, Santos Brasil e Ultracargo — iniciou um estudo técnico voltado às concessões de hidrovias e ao desenvolvimento das hidrovias no Brasil. O objetivo é identificar gargalos operacionais, mapear oportunidades de investimentos e contribuir para a construção de uma agenda estratégica para o setor hidroviário nacional.
O anúncio foi realizado nesta quinta-feira (21.05), durante a apresentação do balanço de dois anos da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos.
O estudo analisará sete dos principais sistemas hidroviários brasileiros: Hidrovia Verde (Amazonas e Barra Norte), Madeira, Tapajós, Tocantins-Araguaia, Paraguai, Tietê-Paraná e Lagoa-Mirim. A proposta é avaliar cada corredor sob quatro eixos considerados centrais para o desenvolvimento da infraestrutura hidroviária: socioambiental, operacional, econômico e regulatório.

Entre os temas previstos estão as condições atuais de navegabilidade, gargalos operacionais, licenciamento ambiental, segurança da navegação, ganhos de competitividade logística, eficiência operacional e descarbonização do transporte.
Além disso, o levantamento abordará questões consideradas críticas para o avanço das hidrovias no Brasil, como conflitos socioambientais, judicialização de obras, dificuldades de coordenação entre órgãos públicos, financiamento de longo prazo e uso múltiplo dos recursos hídricos.
O movimento também pretende transformar os dados técnicos levantados em informações mais acessíveis para diferentes públicos, reforçando o papel estratégico das hidrovias na logística nacional. Segundo o CEO do MoveInfra, Ronei Glanzmann, o modal hidroviário pode contribuir diretamente para a redução de custos logísticos e para a transição energética da matriz de transportes brasileira.
“Vamos mostrar como as hidrovias podem transformar a lógica do transporte de cargas no Brasil, com ganhos efetivos de competitividade e redução de custos. Integradas a outros modais, as hidrovias são o caminho mais sustentável para a tão desejada transição energética”, afirma.
O estudo terá horizonte de longo prazo, entre 10 e 30 anos, buscando ultrapassar ciclos eleitorais e servir como referência para futuras políticas públicas, programas de concessões de hidrovias e investimentos em infraestrutura logística no país.
A condução do trabalho ficará sob responsabilidade da consultoria Garín Partners, especializada em infraestrutura e transporte. A conclusão está prevista para agosto de 2026.
O MoveInfra reúne empresas que atuam em diferentes segmentos da infraestrutura logística brasileira, incluindo concessões rodoviárias, operação ferroviária, terminais portuários, navegação interior e armazenagem. O grupo vem atuando na formulação de propostas voltadas à modernização da infraestrutura nacional, com foco em integração modal, sustentabilidade e eficiência operacional.








