A rentabilidade de caminhões ainda é avaliada de forma imprecisa em grande parte das operações de transporte no Brasil. A prática de analisar o desempenho dos veículos apenas pelo faturamento das viagens, bastante comum no setor, pode ocultar custos relevantes e sustentar prejuízos silenciosos ao longo do tempo, comprometendo a saúde financeira das frotas.
Segundo a Vilesoft, empresa especializada em tecnologia para gestão de frotas, identificar se um caminhão gera lucro de fato exige uma visão financeira estruturada. Essa análise passa pela consolidação adequada das receitas, dos custos diretos e dos custos indiretos atribuídos corretamente a cada veículo, evitando distorções que mascaram a real performance operacional.

“Um caminhão que fatura alto não é necessariamente um caminhão lucrativo. Sem a consolidação adequada dos dados, a empresa pode confundir movimento de caixa com geração real de margem”, afirma Roger Maia, CEO e fundador da Vilesoft. De acordo com ele, esse equívoco é recorrente e afeta decisões estratégicas, como renovação de frota, definição de rotas e precificação de fretes.
Para uma avaliação consistente da rentabilidade de caminhões, a empresa aponta como essenciais indicadores como faturamento por viagem ou por período, consumo real de combustível, custos de manutenção preventiva e corretiva, despesas com motorista, pedágios, seguros, rastreamento e taxas operacionais. Além disso, entram na conta fatores frequentemente negligenciados, como depreciação do veículo, custo do capital investido e rateios administrativos, quando aplicável.
Erros que distorcem a leitura da frota
Mesmo em empresas experientes, falhas recorrentes comprometem a análise financeira dos veículos. Entre os problemas mais comuns estão a avaliação restrita à receita, a mistura inadequada entre custos fixos e variáveis, a desconsideração da depreciação e de despesas futuras de manutenção, além de critérios imprecisos de rateio. Essas práticas criam uma falsa sensação de eficiência operacional.
“Muitas empresas mantêm caminhões que parecem saudáveis sob a ótica do faturamento, mas que, na prática, consomem margem de forma contínua. Sem dados históricos confiáveis, decisões acabam sendo tomadas por percepção, não por evidência”, explica Maia.
A gestão orientada por dados permite acompanhar indicadores capazes de revelar a real situação financeira da frota. Entre as métricas consideradas críticas estão custo por quilômetro rodado, receita por quilômetro, margem operacional por caminhão, consumo médio de combustível, custo de manutenção por quilômetro, índice de disponibilidade e resultado líquido mensal por veículo. Esses parâmetros viabilizam comparações entre veículos, rotas e períodos, oferecendo base concreta para decisões mais precisas.
Um dos cenários mais frequentes identificados pela Vilesoft envolve caminhões com forte geração de receita que, após análise detalhada, apresentam consumo elevado de combustível, manutenções recorrentes, custos operacionais acima do padrão e longos períodos de indisponibilidade. “Nesses casos, o caminhão roda muito, fatura bem, mas destrói margem. É o típico prejuízo invisível que só aparece quando os dados são consolidados corretamente”, afirma Maia.
Para reduzir esse tipo de distorção, a tecnologia tem assumido papel central no controle financeiro das frotas. Sistemas especializados permitem centralizar faturamento, custos e eventos operacionais em um único ambiente, automatizar cálculos de rentabilidade de caminhões e gerar relatórios comparativos sem dependência de planilhas manuais. “Quando os dados ganham consistência, o gestor deixa de reagir a problemas e passa a antecipar decisões. Isso muda completamente a lógica de gestão e proteção da margem”, conclui o CEO e fundador da Vilesoft.









