Executivos alertam para riscos do “Herói da Logística” no transporte terceirizado

A figura do chamado “Herói da Logística”, profissional que resolve problemas críticos da operação com base em experiência pessoal, contatos informais e decisões não estruturadas, pode representar um risco estrutural para empresas que operam com transporte terceirizado. O alerta é feito por Sergio Simões e Claudio Sampaio, fundadores da MovimentAI.

A discussão ganhou força após uma publicação recente de Simões que repercutiu entre profissionais da área. Para o executivo, o reconhecimento excessivo desse perfil costuma mascarar a ausência de processos estruturados, criando uma dependência perigosa do conhecimento individual. “O herói resolve, mas a operação continua dependente da pessoa, memória, do WhatsApp e da disponibilidade individual. Quando ele sai às 19h ou pede demissão, o risco aparece”, afirma.

Esse cenário, segundo os executivos, gera um custo invisível para as operações. A dependência de decisões informais e de conhecimento tácito tende a consumir margem operacional e reduzir a previsibilidade dos embarques, especialmente em ambientes com múltiplos parceiros logísticos.

O custo invisível da dependência operacional

Os fundadores da MovimentAI associam esse fenômeno ao Decision Gap Framework, modelo conceitual que identifica o espaço decisório entre a criação de uma tarefa logística e a confirmação efetiva de sua execução. Em muitas operações com frota terceirizada, essa etapa ainda depende de ligações individuais, negociações informais, conhecimento tácito sobre motoristas e uso de planilhas paralelas.

Segundo um levantamento proprietário da empresa, realizado com 50 operações logísticas, falhas nesse intervalo decisório podem gerar índices de até 11% de ausência no carregamento, além de aumento relevante nos custos de substituições emergenciais. Para Sampaio, o problema não está na competência do profissional, mas na falta de governança formal. “O conhecimento que hoje está na cabeça do operador precisa estar no processo. Quando a execução depende de memória e relacionamento, o risco não é pontual, mas sim estrutural”, afirma.

Do improviso à governança no transporte terceirizado

O Decision Gap Framework surge, portanto, como uma proposta de governança operacional, com o objetivo de estruturar o intervalo entre planejamento e execução nas operações de transporte terceirizado. A lógica é transformar um momento tradicionalmente informal em um processo parametrizado, mensurável e auditável.

Entre os critérios objetivos propostos estão SLA formal de aceite, histórico de presença e confiabilidade, custo ajustado ao risco, regras automáticas de escalonamento e monitoramento contínuo da taxa de ausência. De acordo com Simões, a intenção não é eliminar o papel humano, mas reduzir a dependência individual. “Gestão manual funciona quando você tem poucas rotas e controle direto. Quando a operação cresce, o improviso deixa de ser eficiência e passa a ser risco”, diz.

Um desafio estrutural do setor

Dados da Associação Brasileira de Logística indicam que o transporte rodoviário movimenta cerca de R$ 270 bilhões por ano no Brasil. Paralelamente, o modelo de transporte terceirizado se expandiu de forma significativa na última década, aumentando a complexidade da gestão.

Nesse contexto, a dependência de soluções improvisadas torna as operações mais vulneráveis. Para Sampaio, o debate também passa por uma mudança de mentalidade: sair da gestão de frota e avançar para a gestão da execução. “A pergunta não deveria ser ‘qual caminhão está na base’, mas ‘qual tarefa precisa ser garantida agora, com qual critério e qual nível de risco’”, afirma.

A MovimentAI informa que empresas que adotaram essa abordagem estruturada registraram redução significativa nas ausências de carregamento e ganhos relevantes de eficiência operacional nos primeiros meses. A empresa disponibiliza uma calculadora gratuita para mensurar o impacto financeiro do NoShow nas operações, no endereço www.movimentai.com.br/lpcalculadorav2.

Para os executivos, o alerta é claro: o “Herói da Logística” pode ser admirável, mas uma operação madura não pode depender dele para funcionar de forma sustentável.

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