Modernização logística na Royal Canin ampliou a agilidade no pós-pandemia sem elevar custos operacionais

A modernização logística relevante da Royal Canin – marca global de nutrição para gatos e cães, parte do Grupo Mars Inc. – tornou-se um movimento estratégico nos últimos anos para acompanhar as novas exigências do mercado pós-pandemia — e conseguiu aumentar a agilidade sem elevar custos. O principal desafio esteve na mudança da dinâmica de entregas após a pandemia, impulsionada pelo crescimento acelerado do e-commerce. Esse movimento elevou de forma significativa a exigência por prazos mais curtos e maior frequência de entrega, tanto no B2C quanto no B2B

Segundo Rosana Tambacha, diretora de Supply Chain da Royal Canin Brasil, prazos de seis a sete dias, antes amplamente aceitos, passaram a ser substituídos por demandas por entregas no dia seguinte ou até no mesmo dia. “Para nós, que atuamos em um nicho super premium, o desafio foi aumentar a agilidade operacional sem gerar ociosidade de ativos ou pressionar os custos logísticos.”

Rosana Tambacha, diretora de Supply Chain da Royal Canin Brasil

Na verdade, esse novo cenário foi fortemente influenciado pela consolidação da chamada cultura do imediatismo, impulsionada por grandes plataformas de e-commerce, o que redefiniu o padrão de exigência em relação a prazo, visibilidade e conveniência. “Esse comportamento acabou se refletindo também no varejo físico, inclusive no pequeno varejo, especialmente em mercados mais dinâmicos como São Paulo. Nesse contexto, passamos a evoluir sua rota, adotando modelos mais eficientes e aderentes às novas expectativas, com maior protagonismo de distribuidores no atendimento ao pequeno varejo”, afirma Rosana.

Para aumentar a agilidade operacional sem elevar os custos logísticos, em um cenário de pressão inflacionária e instabilidade nas cadeias de suprimentos,a empresa ampliou o uso do transporte compartilhado. “Ao atuar com parceiros logísticos que consolidam cargas de diferentes empresas, conseguimos aumentar a frequência de entregas e manter a competitividade de custos”, destaca a diretora de Supply Chain. Paralelamente, Paralelamente, iniciativas de eficiência interna, como o projeto de box filling — voltado à otimização do preenchimento das embalagens — permitiram ampliar em cerca de 20% a ocupação de caixas e caminhões, sem a necessidade de novos investimentos financeiros.

Transformações

Rosana também destaca que os processos de transporte e distribuição passaram pelas transformações mais significativas, com a adoção de modelos compartilhados e a evolução da rota ao mercado em São Paulo, incluindo a implementação de um modelo híbrido de distribuição para o pequeno varejo.

A armazenagem também evoluiu de forma relevante com a criação de um novo Centro de Distribuição em Itupeva (SP). A unidade passou a exercer um papel importante na operação logística, realizando o atendimento direto aos clientes em São Paulo e o abastecimento de distribuidores em diferentes regiões do país.

A tecnologia teve papel central nesse processo. “Além de sistemas já consolidados, como WMS e ferramentas de roteirização, estamos em fase de implementação de um TMS concebido para atuar como uma torre de controle logística”, afirma Rosana. A solução busca ampliar a visibilidade de ponta a ponta dos pedidos e automatizar a gestão de fretes, com os primeiros resultados previstos para o segundo semestre deste ano, quando será possível capturar ganhos adicionais de eficiência e capacidade analítica na operação.

Outro avanço relevante foi a digitalização de processos operacionais, como a adoção de checklists digitais em tablets, que substituíram controles manuais em papel e passaram a permitir monitoramento em tempo real das operações.

A integração entre áreas internas e parceiros logísticos foi outro fator decisivo para o sucesso desta transformação. “O compartilhamento da malha logística com parceiros de perfis complementares permitiu uma utilização mais eficiente dos ativos e maior flexibilidade operacional”, aponta Rosana.

Internamente, houve fortalecimento das sinergias com outras unidades de negócio da Mars, especialmente em Petcare, além de maior aproximação entre as áreas de Supply Chain e Customer Service, contribuindo para um planejamento de abastecimento mais preciso, especialmente junto aos Key Accounts.

Centro Regional de Distribuição (RDO) da empresa em Descalvado, SP, completou 10 anos sem acidentes de trabalho em 2025

Indicadores de Desempenho

Entre os indicadores de performance (KPIs) quemelhor refletem os ganhos obtidos com a modernização logística, a diretora de Supply Chain destaca o Centro Regional de Distribuição (RDO) de Descalvado, SP, que completou 10 anos sem acidentes de trabalho em 2025, resultado de uma cultura sólida de prevenção e cuidado. No pilar de qualidade operacional, a unidade mantém avaliações consecutivas de excelência nos rankings globais de Distribution Quality Management (DQM) e Integrated Pest Management (IPM), reforçando a consistência dos processos.

Do ponto de vista de eficiência, a operação registrou uma redução média anual de cerca de 10% em custos e emissões, sem a necessidade de novos investimentos financeiros, além de avanços relevantes na utilização dos ativos, como o aumento de aproximadamente 20% na ocupação de caixas e caminhões. “Esses ganhos contribuíram para a manutenção de um nível de serviço premium, com melhoria na frequência de entregas, ao mesmo tempo em que reforçaram o compromisso global da Royal Canin com a redução contínua das emissões de CO₂, incluindo a meta de diminuição anual de 10% das emissões por tonelada vendida nas operações logísticas.”

Ainda segundo Rosana, a nova estrutura logística permite ainda uma operação mais segmentada e precisa. “Substituímos modelos genéricos por soluções adaptadas a diferentes perfis de clientes”, explica. Modelos específicos, como o Full Commerce, voltado ao atendimento veterinário, garantem que dietas altamente especializadas cheguem com qualidade assegurada, respaldadas por rigorosos controles de segurança e qualidade. Aqui, vale ressaltar que, com atuação baseada em ciência e observação, a empresa desenvolve dietas adaptadas às necessidades específicas dos pets, considerando idade, porte, raça, estilo de vida e sensibilidades.

“Além disso, a maior agilidade logística contribuiu para que os produtos estejam disponíveis com mais rapidez em pontos de venda e clínicas, apoiando o cuidado imediato com gatos e cães e reforçando o nosso compromisso com a Saúde Através da Nutrição.”

Questionado sobre os aprendizados dessa jornada logística que podem servir de referência para outras empresas do setor de bens de consumo, Rosana aponta que a experiência demonstra que eficiência operacional e sustentabilidade podem caminhar juntas, permitindo reduzir custos e emissões de forma simultânea. Também reforça a importância de abandonar modelos únicos e adotar soluções logísticas segmentadas, mais aderentes às necessidades dos diferentes perfis de clientes.

Outro aprendizado relevante é o valor da colaboração, inclusive entre empresas de setores distintos, como fator essencial para viabilizar entregas ágeis e eficientes em um país com dimensões e complexidades logísticas como o Brasil.

Finalizando, a diretora de Supply Chain revela o que ainda está no radar da Royal Canin em termos de inovação logística e Supply Chain para os próximos anos. “Entre os principais temas no radar estão o acompanhamento contínuo dos impactos da reforma tributária sobre a malha logística e os estudos em andamento relacionados ao modelo híbrido de distribuição em São Paulo, iniciado no final do último ano, com foco na avaliação de resultados e na análise de cenários para os próximos passos da operação.

“Além disso, a Royal Canin vem trabalhando de forma integrada com o time global em iniciativas de digitalização, automação e análise de dados, com o objetivo de ampliar a eficiência operacional e aprimorar a experiência do cliente por meio de serviços cada vez mais customizados.”

A empresa está presente em mais de 120 mercados, contando com 17 fábricas e uma ampla rede de especialistas. No Brasil desde 1990, possui fábrica em Descalvado e atua em canais especializados em todo o país, com foco na geração de valor para pets, pessoas e o planeta.

Compartilhe:
Veja também em Matérias Exclusivas Portal Logweb
operações logísticas críticas
Operações logísticas críticas exigem tolerância zero a falhas, rastreabilidade total e resposta imediata
Fórmula E emprega tecnologia de ponta para os carros rodarem. E a ABB faz parte deste universo
Fórmula E emprega tecnologia de ponta para os carros rodarem. E a ABB faz parte deste universo
F1: Sem uma logística eficiente e precisa, não existe glamour. Este papel cabe à DHL
F1: Sem uma logística eficiente e precisa, não existe glamour. Este papel cabe à DHL
saúde mental
Entre prazos e pressão, a saúde mental é a carga mais valiosa da logística e do transporte
Ansiedade logística muda experiência de compra: consumidor exige transparência na forma de entrega
Ansiedade logística muda experiência de compra: consumidor exige transparência na forma de entrega
IFOY
IFOY Award 2025 premia oito empresas por inovações em intralogística; Logweb é a única jurada da América Latina

As mais lidas

01

Reforma tributária nos portos pode dobrar carga do setor e chegar a 30%, alerta especialista
Reforma tributária nos portos pode dobrar carga do setor e chegar a 30%, alerta especialista

02

Cabotagem na região Norte movimenta 10,8 milhões de toneladas e avança com o BR do Mar
Cabotagem na região Norte movimenta 10,8 milhões de toneladas e avança com o BR do Mar

03

Nova sede da Rumo centraliza áreas corporativas e operação ferroviária em Indaiatuba (SP)
Nova sede da Rumo centraliza áreas corporativas e operação ferroviária em Indaiatuba (SP)