Cibersegurança portuária: preocupação com ransomware cresce de 56% para 79% nos portos brasileiros, mostra Redbelt Security

A digitalização e a automação transformaram de forma definitiva o comércio global, e o setor portuário está diretamente inserido nesse processo. Hoje, navios atracados e diferentes equipamentos interagem digitalmente com operações e prestadores de serviços em terra. Essa integração envolve múltiplos processos, como o envio de documentos de embarque por e-mail, o upload de arquivos em portais on-line e outras comunicações com terminais marítimos, estivadores e autoridades portuárias.

Com tantas informações estratégicas e sigilosas circulando no meio digital, um ataque cibernético pode ter consequências devastadoras. Isso se torna ainda mais preocupante considerando que 95% do comércio exterior brasileiro depende dos portos nacionais. O país possui uma costa de 8,5 mil quilômetros navegáveis e movimenta mais de 1 bilhão de toneladas de cargas por ano, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Cibersegurança portuária: preocupação com ransomware cresce de 56% para 79% nos portos brasileiros, mostra Redbelt Security

Apesar da robustez do setor, as ameaças cibernéticas são conhecidas e exploradas por criminosos digitais. Muitas invasões têm origem em vazamentos de credenciais, frequentemente associados ao uso de e-mails corporativos em ambientes inseguros ou a esquemas de phishing. Esses incidentes podem culminar em ataques de ransomware, nos quais os dados são sequestrados e só devolvidos mediante pagamento de resgate.

De acordo com o relatório Maritime Cyber Priority 2024/25 da DNV, a preocupação com ataques de ransomware no setor portuário aumentou de 56% para 79% entre 2023 e 2024. Esse crescimento revela que as gangues criminosas enxergam grande potencial de lucro nas cadeias portuárias e logísticas. Um estudo da IBM, o Cost of a Data Breach 2024, aponta que o custo médio global de uma violação de dados no setor de transportes foi de US$ 4,18 milhões, incluindo perdas operacionais, danos reputacionais e custos de mitigação.

O desafio é ainda maior devido à dependência de tecnologias legadas e da atuação de fornecedores e centros com diferentes níveis de maturidade em cibersegurança. Segundo a International Association of Ports and Harbors (IAPH), a ausência de uma abordagem holística e colaborativa, além da desigualdade tecnológica entre os portos, aumenta a vulnerabilidade. Enquanto alguns terminais já contam com sistemas avançados e autônomos, outros ainda dependem de interações manuais e uso de papel.

Casos recentes confirmam a gravidade do cenário. Portos como Mumbai (Índia), Los Angeles (EUA) e Nagoya (Japão) já sofreram ataques de ransomware. No Brasil, o Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, foi alvo em 2024, com mais de 810 mil documentos comprometidos, incluindo dados contábeis, de recursos humanos, contratos, relatórios financeiros e informações de funcionários.

Por outro lado, tecnologias de proteção estão em evolução e oferecem alternativas eficazes para reforçar a segurança da infraestrutura crítica sem comprometer a operação. Para Eduardo Lopes, CEO da Redbelt Security, “A partir de uma análise detalhada dos ambientes complexos da indústria marítima, é possível identificar os ativos e garantir visibilidade do que existe dentro do ambiente e das comunicações que são realizadas, com o máximo de detalhes possível. Assim, a indústria consegue proteger e monitorar todos os seus ativos de ICS, OT, IoT, TI, borda e nuvem”.

Ele destaca ainda o papel de um Security Operation Center (SOC) dedicado às tecnologias operacionais (OT). Esse tipo de centro de monitoramento possibilita identificar, avaliar, detectar e responder a incidentes em larga escala. “Isso é feito a partir de múltiplas fontes de dados fornecidas pelo ambiente, correlacionado através de soluções de gerenciamento de informações e eventos de segurança (SIEM, da sigla em inglês)”, explica.

No entanto, o fator humano segue sendo um dos principais pontos de atenção. “Embora a tecnologia seja crucial no combate a esses ataques, a falta de conscientização dos colaboradores ainda é o que representa o maior risco. Muitos portuários não têm treinamento adequado sobre como identificar e-mails de phishing ou outras táticas de engenharia social usadas para espalhar ransomware. E essa falta de conscientização torna a equipe mais vulnerável a erros que podem levar a uma violação de segurança”, conclui.

Compartilhe:
Veja também em Portos
Porto de Rio Grande terá R$ 24 bilhões em investimentos em celulose e logística de exportação
Porto de Rio Grande terá R$ 24 bilhões em investimentos em celulose e logística de exportação
Movimentação portuária no Norte cresce 45,16% em novembro e supera média nacional em mais de três vezes
Movimentação portuária no Norte cresce 45,16% em novembro e supera média nacional em mais de três vezes
Novo porto de Itapoá (SC) impulsiona galpões logísticos e projeta R$ 117 milhões anuais
Novo porto de Itapoá (SC) impulsiona galpões logísticos e projeta R$ 117 milhões anuais
Leilão do Tecon Santos 10 avança na Antaq com investimento de R$ 6,4 bilhões
Leilão do Tecon Santos 10 avança na Antaq com investimento de R$ 6,4 bilhões
Movimentação de cargas nos portos brasileiros cresce 5% e bate recorde em 2025
Movimentação de cargas nos portos brasileiros cresce 5% e bate recorde em 2025
Eficiência portuária garante melhor triênio da história da balança comercial brasileira
Eficiência portuária garante melhor triênio da história da balança comercial brasileira

As mais lidas

01

Terreno logístico em Navegantes (SC) com acesso direto à BR-470 e proximidade portuária é colocado à venda

02

Motiva Autoban estima quase 3 milhões de veículos na Operação Carnaval nas rodovias Anhanguera-Bandeirantes em São Paulo, SP
Motiva Autoban estima quase 3 milhões de veículos na Operação Carnaval nas rodovias Anhanguera-Bandeirantes em São Paulo, SP

03

Roadcard realiza primeira viagem do país com vale-pedágio por leitura de placa
Roadcard realiza primeira viagem do país com vale-pedágio por leitura de placa