Santa Catarina registra valorização imobiliária de galpões logísticos acima da média nacional

17/07/2024

Santa Catarina já desponta no cenário nacional como o Estado com a melhor valorização imobiliária residencial do país, com 4 das 5 cidades que ocupam o topo do ranking da FipeZap.

Agora, o setor de galpões logísticos também tem chamado a atenção de investidores de todo o país pela alta rentabilidade. Exemplo disso é Navegantes, cidade sede do principal terminal privado do Brasil destinado à movimentação de contêineres, que teve 300% de valorização no metro quadrado dos galpões logísticos nos últimos 10 anos, conforme levantamento da empresa Sort Investimentos, especializada no setor.

Foto: Freepik

Atualmente, apenas em Santa Catarina, a empresa possui mais de R$ 3,5 bilhões em ativos e 553 mil metros quadrados disponíveis para áreas de construção de galpões logísticos de alto padrão. A taxa de vacância é 9,4% no Brasil e inferior a 7% em Santa Catarina e a rentabilidade da locação é superior a 0,7% a.m., bem acima da média de outros tipos de imóveis que é de 0,4% a.m.

“A valorização imobiliária de galpões logísticos em Santa Catarina está acima da média nacional devido à localização geográfica estratégica, com fácil acesso aos principais centros urbanos do país e também ao Mercosul, além da infraestrutura de transporte de alta qualidade e da economia diversificada e dinâmica. A crescente demanda por e-commerces que necessitam de Centros de Distribuição eficientes impulsiona ainda mais o setor. Além disso, o ambiente de negócios favorável, com incentivos fiscais e mão de obra qualificada, torna a região atraente para investidores, resultando em excelente retorno”, avalia o especialista em mercado imobiliário e CEO da Sort Investimentos, Renato Monteiro.

Além de Navegantes, o especialista destaca outras duas regiões do Estado com grande potencial de valorização. “Araquari, por exemplo, é um ponto estratégico para as cargas que chegam ao Estado pelo porto de São Francisco do Sul, já que está às margens da BR-101, principal rodovia do país. A mesma regra se aplica para Garuva em relação ao Porto Itapoá, além de esta cidade estar estrategicamente posicionada mais próxima de São Paulo”, explica.

Crescimento do e-commerce impulsiona mercado de galpões logísticos

O e-commerce no Brasil segue em expansão, com projeção de um salto de crescimento nos próximos anos, passando de R$ 349 bilhões em 2023 para R$ 557 bilhões em 2027. Segundo Monteiro, o aumento na demanda por compras online requer Centros de Distribuição eficientes e bem localizados, o que eleva a procura por galpões logísticos de qualidade. Este cenário contribui para a valorização imobiliária desses ativos, tornando-os investimentos atrativos e rentáveis.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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