Desafios e expectativas para o setor logístico no segundo semestre

26/07/2022

Após um balanço positivo do ramo logístico no ano de 2021, com arrecadação de R$ 2,9 trilhões em movimentação de cargas, em relação aos R$ 2,1 trilhões em 2020 (segundo relatório da AT & M), o ano de 2022 apresenta novos desafios para o segmento, que buscou uma série de medidas para manter a qualidade no serviço desde o início da pandemia da Covid-19. 

Segundo dados do Banco Central (BC), a inflação acumulada no ano de 2022 deve superar o teto previsto pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Somado a isso, variáveis como eleições e instabilidade no preço do petróleo podem determinar o crescimento do setor logístico no país, afirmam diretores de três empresas do setor de logística.

Mesmo com estes fatores, eles apontam prognósticos positivos com crescimento, investimentos e expansão territorial nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste para o segundo semestre. “Uma projeção moderada [de crescimento] está em 14% para 2022, entretanto, de janeiro até junho deste ano, já obtivemos, com grande satisfação, um aumento de 22% em relação ao mesmo período de 2021”, revela Max Trevisan, diretor Comercial da RV Ímola, especializada em logística de medicamentos.

Já para o diretor de operações da Braspress, empresa de logística de entregas de encomendas, Luiz Carlos Lopes, “há sinais evidentes, apontando para que o mercado internacional mantenha as tendências de alta do petróleo, influenciados pela guerra [da Ucrânia] e concentração da oferta, através dos países do Oriente Médio. O Brasil depende de aproximadamente 30% da importação de petróleo, frente ao seu consumo”. 

Lopes ainda lembra que, em relação à alta do combustível, “o Diesel responde por uma parcela importante dos custos do negócio, pois além da frota própria de mais de 3.250 veículos, contratamos veículos de terceiros, representando aproximadamente 30% do atendimento das nossas demandas. O Diesel para esses contratados varia de 45% a 60% na planilha de custos, portanto qualquer variação faz muita diferença no equilíbrio do negócio. Apesar das diversas discussões governamentais, ainda que subsidiados por algum tipo de pacote ou auxílio, esses serão insuficientes para alterar a situação e sua criticidade”.

Sobre o cenário das eleições presidenciais, o diretor da Braspress afirma que no cenário polarizado “[a candidatura de Bolsonaro] representada por um governo mais austero e com dificuldades de articulação com partidos de centro, aponta para um dispendioso desequilíbrio fiscal, já que não há caixa ou reservas capazes de sustentar por longo prazo. O outro candidato, que busca resgatar o poder [Lula], é apoiado no apelo social, diante de um cenário farto de grandes instabilidades na economia, empobrecimento da população que amarga pelo endividamento e crescimento dos índices inflacionários. Essa conjuntura afeta o consumo, com consequentes alterações nas demandas para o setor”.

A respeito da expectativa de expansão territorial dos negócios e contratações, o presidente da Ativa Logística, Clóvis A. Gil, afirma que “para o segundo semestre, a empresa prevê inaugurações de novas unidades pelo Brasil, principalmente na região Sul, e disponibilidade de todos os serviços de transporte rodoviário e aéreo, armazenagem, manuseio, nacionalização de produtos, entre outros, o que consequentemente possibilita novas contratações. Além disso, buscamos atuação em novos segmentos da economia que tenham compatibilidade de carga com os setores de saúde, beleza e farmacêutico”.

Ainda sobre o aspecto da expansão territorial e investimento em tecnologia, Trevisan, da RV Ímola, completa: “Estamos em fase de expansão de nossas instalações, com a implantação de novos Centros de Distribuição estratégicos em diferentes regiões do Brasil. Consolidamos nossa estrutura e operação no Pará, bem como em Pernambuco e, mais recentemente, em Santa Catarina; estamos em busca de novos Centros Logísticos em regiões distintas das quais já dispomos. Em termos de tecnologia, por contar com software próprio de gestão de estoques, buscamos um aprimoramento nas ferramentas, nos controles e relatórios, buscando maior automação dos processos. Isso sem contar que o investimento em melhorias, além de customizações, nas ferramentas de controle de gestão intra-hospitalar e medicamento a domicílio são rotina diária”.

Mesmo diante dos desafios impostos por uma série de variáveis, tudo aponta que o segmento logístico seguirá expandindo no segundo semestre de 2022, com altas possibilidades de contratações e investimentos em expansão e tecnologia. “Estamos trabalhando diariamente para que a projeção moderada seja mantida, bem como, possamos superar a projeção no dobro do percentual esperado”, conclui o diretor da RV Ímola.

Fonte: Alfredo César de Souza, SAX Comunicação

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