Queda nas exportações reduz movimento de cargas no Porto de Santos

08/03/2017

A movimentação de cargas no Porto de Santos registrou em janeiro declínio de 6,0% em relação a 2016. A redução ocorreu pela queda de 16,1% nas exportações, apesar do significativo crescimento de 19,1% nas importações. Com participação de 63,60% sobre o total geral, a redução no fluxo de embarques influiu de forma decisiva para o declínio do movimento em janeiro. O recuo verificado em janeiro não inibe, no entanto, as projeções de crescimento para 2017.

O desempenho das exportações, com 4,683 milhões de toneladas, foi reflexo, principalmente, da redução nas operações de embarque de milho, com retração de 76,6%. Somente o milho representou declínio de 1,3 milhão de toneladas.. A situação decorre da quebra da última safra do milho, ainda em final de escoamento, provocando o declínio também verificado em dezembro.

“O cenário, no entanto é otimista”, analisa o presidente da Codesp, Alex Oliva, lembrando que o Porto de Santos tende a se beneficiar com os resultados positivos da safra de grãos 2016/2017, com estimativa de recorde histórico para o país, num aumento de aproximadamente 15% em relação à safra anterior. “No geral, considerando ainda análises comerciais, devemos encerrar 2017 com um movimento em torno de 120,933 milhões de toneladas, um aumento de 6,3% em relação a 2016”, conclui Oliva, com forte expectativa de resultados positivos a partir do início do escoamento da soja. Beneficiada pela elevação dos preços, pela demanda internacional ainda elevada e por condições climáticas mais favoráveis, a safra nacional de soja deve apresentar novo recorde, com crescimento médio estimado de 8,7% .

O complexo soja, apesar de ainda não se apurar um elevado volume nesse início de escoamento da nova safra, já registrou crescimento de 125,2%, atingindo 678,72 mil toneladas, com participação de 485,85 mil toneladas da soja em grão. No auge do escoamento, esse volume deve facilmente superar 3 milhões de toneladas.

Quanto às importações, que participaram com 36,40% do total geral, alcançando 2,680 milhões de toneladas e incremento de 19,1%, foram impulsionadas pelo forte movimento de adubo, a principal carga nesse fluxo, que ampliou suas descargas em 43,8%, seguida pelo bom desempenho nas operações de óleo diesel e gasóleo, atingindo 28,6% de crescimento, com 137,96 mil toneladas.

As operações com contêineres registraram 279,978 mil TEU, apontando aumento de 4,0%. Considerando-se a tonelagem movimentada, o crescimento foi ainda mais expressivo, chegando a 9,3%, com 3,139 milhões de toneladas. O total de contêineres em unidades teve incremento de 3,2% com 132,026 mil unidades operadas.

O número de navios atracados apresentou redução de 8,9% em janeiro, com registro de 360 embarcações.

Balança Comercial

A movimentação de cargas pelo Porto de Santos atingiu o total de US$ 7,4 bilhões, equivalente ao valor comercial dos produtos que transitaram pelo complexo santista no primeiro mês do ano, representando um incremento de 23,3% em relação ao ano anterior. A participação no total nacional de US$ 27,1 bilhões foi, coincidentemente, de 27,1%.

As exportações chegaram a US$ 3,9 bilhões, alcançando crescimento de 34,48% com uma participação de 25,8%. As importações atingiram US$ 3,5 bilhões, aumento de 12,9% sobre 2016 e participação de 28,7% sobre o total nacional.

As exportações pelo cais santista tiveram como principais destinos os portos dos Estados Unidos. China e Argentina, respectivamente. Na liderança, os portos norte-americanos receberam o equivalente a US$ 508 milhões, seguidos por China, com US$ 355 milhões, e Argentina, com US$ 292 milhões. As cargas mais exportadas foram açúcares (US$ 548,646 milhões), principalmente para Bangladesh, café em grão (US$ 383,990 milhões), liderado pelos embarques para a Argélia e farelo (US$ 214,883 milhões), com destaque para a Indonésia.

Nas importações, China, Estados Unidos e Alemanha foram, respectivamente, os países que mais embarcaram com destino a Santos. A China liderou com US$ 826 milhões, seguida pelos Estados Unidos com US$ 539 milhões e pela Alemanha com US$ 300 milhões. Gasóleo foi o principal produto descarregado, (US$ 69,954 milhões) liderado pelos Estados Unidos. Caixas de marchas (US$ 56,834 milhões) vêm a seguir, tendo o Japão como principal exportador, e partes para aviões e helicópteros (US$ 52,462 milhões), com destaque para a produção embarcada em Portugal.

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