Wilson Sons participa de operação especial no Ceará

06/07/2016

A Wilson Sons participou no início de junho de uma complexa operação especial no Porto de Pecém, no Ceará. A companhia, por meio da Wilson Sons Rebocadores e da Wilson Sons Agência, teve papel fundamental nesta operação do navio Zhen Hua 26, que trouxe dois STSs (Ship-to-Shore cranes ou, como comumente chamados, portêineres), guindastes específicos para utilização em descarga/embarque de contêineres em navios porta-contêiner. Estes equipamentos serão comissionados para a APM Terminals. A escala teve início no dia 4 e foi concluída em 11 de junho.

O trabalho, na verdade, teve início muito antes. Jamiro Dias, gerente da Filial Fortaleza da Wilson Sons, explica que o contato com a chinesa ZPMC, contratante e fabricante dos guindastes, começou há sete meses. “Como agência marítima, estivemos acompanhando todo o processo desde o início, fornecendo informações e servindo de interface entre a ZPMC e Cearáportos. Foi uma operação complexa, pois o berço que recebeu os equipamentos teve sua construção finalizada recentemente e o Zhen Hua 26 foi o primeiro navio a atracar neste berço. Para tornar esta operação possível, participamos de diversas reuniões para buscar viabilizar esta operação, envolvendo a Praticagem, a Capitania dos Portos e a Companhia de Integração Portuária do Ceará (Cearáportos)”, conta o executivo.

​Durante a estadia do navio Zhen Hua 26, os rebocadores WS Aquila, Auriga e Fornax, que atuam no porto de Pecém, estiveram envolvidos nas manobras de atracação e desatracação e também realizaram assistência junto ao costado no navio no momento da descarga dos dois equipamentos.

Essa foi a primeira operação deste tipo que a Wilson Sons participou com suas duas bandeiras (Agenciamento e Rebocadores) no estado do Ceará. A companhia, contudo, tem grande experiência nesse tipo de trabalho, tendo realizado manobras de embarcações da ZPMC em terminais do Porto de Santos e do Porto de Salvador, por exemplo.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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