Codesp licitará dragagem para o porto de Santos

05/07/2016

A Companhia Docas de São Paulo (Codesp) realizará licitação para contratação do serviço de dragagem de manutenção das profundidades de todo canal de navegação, bacias de evolução e acesso a berços do Porto de Santos pelo prazo de 12 meses. O certame foi autorizado na última quinta-feira (30/06) pelo Conselho de Administração (Consad) da Docas, após aprovação pela diretoria executiva e avaliação dos conselheiros. Segundo o presidente da Codesp,Alex Oliva, “a iniciativa visa a continuidade do serviço de forma a proporcionar maior tranquilidade aos usuários do Porto de Santos com garantias de operação plena sem qualquer restrição”. Oliva ressaltou a importância da manutenção do máximo calado operacional em 13,20 metros, “imprescindível para que se opere com produtividade, com a infraestrutura necessária para o principal equipamento portuário a serviço do comércio exterior e da economia”.

O presidente enfatizou ainda a importância do novo contrato, abrangendo os 4 trechos do canal, mais bacias e acessos pelo prazo de 12 meses. Nesta quinta-feira (30/06) foi retomada a dragagem realizada pela empresa Van Oord através de contrato aditado por seis meses. Esse contrato poderá ser rescindido assim que a Secretaria de Portos do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil Ordem de Serviço assine ordem de serviço para iniciar a dragagem já contratada.

Continuidade da dragagem – “A estratégia – explica Oliva – é concluir o processo licitatório autorizado pelo Consad, de forma que, mesmo com o encerramento do contrato da empresa Van Oord – cuja dragagem iniciou nesta quinta-feira – se garanta a continuidade do serviço através da nova contratação. Além da empresa que contrataremos, ainda aguardamos, a qualquer momento, a assinatura de Ordem de Serviço pela Secretaria de Portos. Dessa forma, contamos com um plano B e um plano C, que nos garante, efetivamente, a continuidade da dragagem em qualquer cenário”.

A licitação ocorrerá na modalidade de pregão eletrônico, que inverte a ordem de abertura de envelopes. Primeiro se conhece o valor ofertado e depois se verifica se a empresa está habilitada, ou seja, se oferece condições econômica, financeira, jurídica, regularidade fiscal, acarretando maior rapidez e eficiência ao certame.

O novo contrato atenderá à realização da dragagem nos quatro trechos que compõem o canal de navegação, da Barra até a Alemoa, numa extensão de 24 quilômetros, mais as bacias de evolução e os trechos de acesso aos berços de atracação. As empresas concorrentes deverão apresentar capacidade compatível para a realização do serviço através da utilização de draga tipo Hopper, de sucção e autotransportadora, operando com produtividade de 20 mil metros cúbicos ao dia. O contrato prevê a retirada de até 4,3 milhões de metros cúbicos.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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