A automação pode ajudar a transformar o setor de supply chain pós COVID-19?

15/03/2021

*Por Dheeraj Saxena

A pandemia, bem como seu impacto no supply chain, foi um alerta para muitas organizações. Isso criou muitas interrupções diferentes, desde aquelas nas linhas de produção até a disponibilidade reduzida de matérias-primas e componentes. Para gerenciar o risco da cadeia de suprimentos, é vital que as organizações sejam capazes de identificar e prever essas interrupções.

É possível transformar as cadeias de suprimentos abordando as ineficiências e a falta geral de interconectividade e revisando os processos manuais ou as configurações do sistema. Ineficiências de dados, onde os dados estão desalinhados entre o cliente e o fornecedor, também causam problemas. O mesmo ocorre com as ineficiências de políticas e pessoas, que criam bloqueios e silos em uma organização. Por exemplo, em logística, as empresas costumam ter sistemas separados para gerenciar transporte, armazenamento e serviços de terceiros.

Muitos processos dessa cadeia ainda são realizados manualmente pelos trabalhadores, o que cria muitas dessas ineficiências. Os exercícios de entrada manual de dados são repetitivos e, como tal, podem estar sujeitos a erros humanos. Todas essas ineficiências podem se acumular e criar problemas e gargalos do supply chain. Como muitas empresas ainda dependem de suprimentos just-in-time, em caso de interrupção, elas precisam de melhor visibilidade das previsões de estoque e produção em todos os locais para que possam transferir os materiais para locais de alta prioridade. Com sistemas isolados e sem insights de dados em tempo real, é difícil reagir com eficácia a uma crise.

O que é hiperautomação e o que ela faz?

A hiperautomação, que inclui automação de processos robóticos (RPA) habilitada para inteligência artificial (AI), além de outras tecnologias digitais como IoT, processamento inteligente de documentos, chatbots, aplicativos móveis e blockchain, pode ajudar a enfrentar desafios e mitigar ineficiências na cadeia de abastecimento.

O RPA consiste em bots que extraem dados de um aplicativo e os transferem para outro. Ele desempenha um papel crucial no fornecimento de hiperautomação: o RPA é ideal para executar tarefas com script que são rotineiras, repetitivas, baseadas em regras e previsíveis. Além disso, ele pode operar 24 horas por dia, mais rápido, com menos erros e com menos custo do que a mão de obra humana é capaz de realizar os mesmos processos ou tarefas.

No entanto, de acordo com um novo relatório da Orange Business Services e Longitude, apenas 42% das empresas dizem que aumentaram seu nível de automação para lidar com o crescente volume de dados. Eles reconhecem que precisam disso, no entanto: 80% dizem que acreditam que a automação é vital para capacitar funcionários e parceiros do supply chain com insights de dados.

O Gartner classifica a hiperautomação como uma das oito principais tendências de tecnologia do supply chain para 2020 e além. A hiperutomação se refere não apenas às tarefas e processos que podem ser automatizados, mas também ao nível de automação. É importante notar, porém, que RPA e hiperautomação são soluções separadas: RPA é uma forma não invasiva de integrar soluções de fluxo de trabalho de negócios novas e legadas – mas é adequado apenas para tarefas simples, rotineiras, repetitivas e estáveis.

Como o supply chain pode se beneficiar da hiperautomação?

Os sistemas de planejamento e execução da cadeia de suprimentos habilitados para IA podem ajudar a mitigar riscos no supply chain. Eles podem aumentar a visibilidade dos sistemas da cadeia de suprimentos, permitindo que as empresas atuem e tomem decisões usando informações em tempo real. No entanto, é importante lembrar que os processos nem sempre são simples, rotineiros, repetitivos e estáveis. É aqui que as tecnologias complementares, como aprendizado de máquina ou chatbots (onde a intervenção de um supervisor é necessária) entram em ação.

A hiperutomação já está sendo adotada nas operações diárias da cadeia de suprimentos em todo o mundo, e o RPA está sendo usado para todos os tipos de funções. Ele está sendo usado para automatizar funções manuais de entrada de dados, gerar atualizações de status da cadeia de suprimentos e executar funções de auditoria de sistema para sistema. As funções complexas do supply chain agora podem ser processadas com mais rapidez e facilidade nos sistemas ERP, de transporte e de gerenciamento de depósito. Pode ajudar as empresas a economizar centenas de horas de trabalho por dia em tarefas repetitivas e, ao ajudar a eliminar a papelada, traz até benefícios ambientais.

*Dheeraj Saxena é chefe global de RPA da Orange Business Services

Compartilhe:
Leilões de três terminais portuários garantem mais de R$ 226 milhões em investimentos privados
Leilões de três terminais portuários garantem mais de R$ 226 milhões em investimentos privados
Atualização da NR-1 amplia responsabilidade das transportadoras sobre saúde mental a partir de maio de 2026, aponta SETCESP
Atualização da NR-1 amplia responsabilidade das transportadoras sobre saúde mental a partir de maio de 2026, aponta SETCESP
BNDES já aprovou R$ 3,7 bilhões para renovação de frota de caminhões em 1.028 municípios
BNDES já aprovou R$ 3,7 bilhões para renovação de frota de caminhões em 1.028 municípios
Santos Brasil inicia serviço Ásia-América do Sul no Tecon Santos com operação da HMM e ONE
Santos Brasil inicia serviço Ásia-América do Sul no Tecon Santos com operação da HMM e ONE
Acidentes com caminhões geram R$ 16 bilhões em custos e expõem falhas na gestão de frotas, aponta TruckPag
Acidentes com caminhões geram R$ 16 bilhões em custos e expõem falhas na gestão de frotas, aponta TruckPag
Manutenção preventiva em armazéns ganha espaço como vantagem competitiva, aponta Tria Empilhadeiras
Manutenção preventiva em armazéns ganha espaço como vantagem competitiva, aponta Tria Empilhadeiras

As mais lidas

01

Executivos alertam para riscos do “Herói da Logística” no transporte terceirizado
Executivos alertam para riscos do “Herói da Logística” no transporte terceirizado

02

Operadores logísticos de até 50 funcionários ampliam participação e chegam a 38% do setor no Brasil, segundo a ABOL
Operadores logísticos de até 50 funcionários ampliam participação e chegam a 38% do setor no Brasil

03

Vagas no setor logístico e industrial ganham força em diferentes regiões do país
Vagas no setor logístico e industrial ganham força em diferentes regiões do país