A realidade da Internet das Coisas na cadeia de abastecimento brasileira

30/08/2019

Por Rafael Martins*

Sim. A Internet das Coisas (ou IoT, do inglês Internet of Things) está inserida de alguma forma nas empresas, mesmo que seja mais no campo teórico do que no prático. Embora o seu uso ainda esteja atrelado ao cotidiano das pessoas, ainda que passe despercebido, as organizações procuram formas de aplicar os benefícios do IoT no dia a dia das demandas administrativas. Uma coisa é fato. O IoT é um caminho sem volta.

Se na rotina diária há controles inteligentes que criam listas de compras baseadas na dispensa da geladeira, lâmpadas que acendem e apagam com sensores e até robôs médicos, no meio corporativo há a análise preditiva, transporte inteligente, cliente conectado e lojas completamente automatizadas, sem nenhuma intervenção humana, surgem como os sinais reais em meio às utópicas ideias do universo da Internet das Coisas.

As diversas tecnologias embarcadas no conceito de IoT revolucionam não só o modelo de compra no mundo e a experiência do cliente. A inovação também ocorre no backoffice e no modo como a cadeia de suprimentos olha para as muitas possibilidades que a Internet das Coisas traz aos negócios.

Se comparados com os Estados Unidos e até países como a Estônia, os esforços de IoT no Brasil são poucos, porém seguem a todo vapor com contornos significativos. Por aqui, por exemplo, em um âmbito maior, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) voltou a revisar o Plano Nacional de Internet das Coisas, elaborado em 2017. Num aspecto menor, temos o primeiro supermercado 100% automatizado, em Vitória, no Espírito Santo, que funciona sem nenhum funcionário. Um feito e tanto dentro do cenário tecnológico nacional.

Além do varejo final, outra ponta da cadeia de abastecimento que impulsiona a IoT nos negócios é o setor atacadista distribuidor. Um dos exemplos vindos deste nicho é o uso de etiquetas de RFID (Identificação por Radiofrequência ou Radio-Frequency IDentification, em inglês). É interessante olhar o movimento de distribuidores nesta jornada digital ao usarem sistemas de radiofrequência para agilizar processos rotineiros.

Atualmente, o RFID já é utilizado em conferências de entrada e saída de mercadorias do armazém, na realização de inventários e no rastreamento de veículos para otimizar frotas a partir do uso do GPS. Se combinado com soluções para força de vendas, a aplicação do RFID na gestão comercial e logística gera um cenário positivo nos negócios das distribuidoras, diminuindo os custos trabalhistas, aumentando a precisão do inventário, minimizando o desperdício de ativos e melhorando o tempo de resposta ao cliente. Atributos que permitem a empresa ter uma vantagem competitiva diferenciada diante da concorrida era da Indústria 4.0.

Com a Internet das Coisas, os negócios ganham previsibilidade consistente e visão exata de cenário, dando o entendimento necessário sobre o que fazer daqui dois meses, se tudo estiver diferente, por exemplo.

Uma tecnologia bem-vinda para o setor de distribuição, que corre contra o tempo para se adequar ao atual cenário disruptivo corporativo. Fiquemos atentos porque ainda virão boas notícias em relação à transformação digital neste mercado.

*Rafael Martins é CEO da LifeApps e head de tecnologia da MáximaTech, companhia desenvolvedora de soluções móveis para força de vendas, e-commerce, trade marketing e logística para o atacado distribuidor.

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