Para inserir o Brasil no mundo

18/08/2013

Nos últimos tempos, tem sido visível a perda de competitividade dos produtos manufaturados brasileiros, o que vem prejudicando a inserção do País no mercado internacional, hoje limitada a 1,3% de tudo o que se compra e vende no mundo. Não é preciso dizer o que isso acarreta para o País em termos de eliminação de postos de trabalho e queda de arrecadação de tributos.

 

É verdade que as exportações de insumos e matérias-primas mostraram um considerável crescimento até 2011, contribuindo para que os déficits comerciais não fossem tão desastrosos. Mas isso não basta. É preciso que o Brasil se torne um grande país exportador de produtos industrializados, já que hoje ocupa apenas a 22ª posição no ranking das nações exportadoras, o que é incompatível com o tamanho de seu Produto Interno Bruto (PIB) e de sua economia, a sétima do mundo.

 

Dados da Associação de Comércio Exterior (AEB) mostram que a participação industrial na pauta de exportações, que chegou a 59% em 2000, caiu para 32% em 2012. E que o número de empresas exportadoras teve uma redução de 10% no mesmo período, enquanto o número de empresas importadoras cresceu 50%, passando de 28.300 para 42.500. É de assinalar que o número de empresas exportadoras está ao redor de 21 mil, menos da metade do número de importadoras.

 

Diante disso, o País está na iminência de registrar déficit comercial, o que não ocorre desde 2000. Portanto, é preciso que o governo e as entidades representativas da indústria exportadora se reúnam para discutir e definir algumas estratégias para enfrentar o chamado custo Brasil, responsável em grande parte por essa situação incômoda.

 

É certo que não se vai acabar com o custo Brasil de um dia para o outro, pois envolve questões de difícil solução e de longo prazo, como a deficiente infraestrutura logística do País. Mas há questões igualmente relevantes para a formação do custo Brasil que podem ser atacadas, como a redução da excessiva burocracia e a defasagem cambial em consequência da sobrevalorização do real.

 

É preciso ao mesmo tempo articular uma nova estratégia negociadora para o Brasil, que fortaleça a sua inserção internacional, o que só poderá ocorrer com a assinatura de acordos comerciais com mercados-chave como Estados Unidos e União Europeia. É verdade que o governo brasileiro acaba de anunciar que em um ano sairá o tão debatido acordo Mercosul-União Europeia, mas teme-se que esse seja mais um daqueles anúncios que só têm o objetivo de ganhar tempo e iludir a plateia.

 

Enquanto isso, Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Cingapura, EUA, Japão, Malásia, Nova Zelândia, Peru e Vietnã se dedicam à construção de uma ampla negociação comercial, conhecida como Trans Pacific Partnership (TPP), um pacto que deverá estar concluído até 2014, alcançando 40% da economia mundial. Mas não se sabe de nenhuma movimentação para um acordo Mercosul-TPP.

 

 

Milton Lourenço – Presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). fiorde@fiorde.com.br

Compartilhe:
INTRA-LOG Expo 2026 debate o futuro da logística e embalagens com megahub de eventos em São Paulo
INTRA-LOG Expo 2026 debate o futuro da logística e embalagens com megahub de eventos em São Paulo
Exitoinf integra seguros da 88i a sua plataforma SGPWeb, para proteção de encomendas
Exitoinf integra seguros da 88i a sua plataforma SGPWeb, para proteção de encomendas
Exportação de algodão do Grupo Bom Jesus ganha operação integrada entre Movecta e Magna Logistics
Exportação de algodão do Grupo Bom Jesus ganha operação integrada entre Movecta e Magna Logistics
Operação logística da MXP Transportes leva estações de tratamento de água de Sorocaba, SP, a Manaus, AM
Operação logística da MXP Transportes leva estações de tratamento de água de Sorocaba, SP, a Manaus, AM
Teka amplia sua estrutura logística com novo Centro de Distribuição de 6.000 m² em Nova Odessa, SP
Teka amplia sua estrutura logística com novo Centro de Distribuição de 6.000 m² em Nova Odessa, SP
Globalsat Group lança MOBICOM para ampliar conectividade via satélite no transporte
Globalsat Group lança MOBICOM para ampliar conectividade via satélite no transporte

As mais lidas

01

Benel investe R$ 45 milhões em novos veículos e equipamentos de transporte no primeiro semestre de 2026
Benel investe R$ 45 milhões em novos veículos e equipamentos de transporte no primeiro semestre de 2026

02

NDD lança hub logístico que integra 14 etapas da operação de embarcadores e transportadoras

03

Amazon abre 30 vagas no programa de trainees de operações em São Paulo, Amazonas e Rio de Janeiro
Amazon abre 30 vagas no programa de trainees de operações em São Paulo, Amazonas e Rio de Janeiro