Ensino profissionalizante e as indústrias

14/06/2008

O sistema educacional é apontado como um dos fatores relacionados ao baixo desenvolvimento econômico nacional. Um dos problemas é a alocação não adequada de recursos, em uma administração pública que gasta 40% do Produto Interno Bruto.

Logo, ao avaliar a educação, deve-se recorrer à importância aos fatores da produtividade. Aumentos expressivos na escolaridade do trabalhador trazem ganhos salariais. Estima-se que nas décadas de 60 e 70 a taxa interna de retorno da educação no Brasil era elevadíssima, proporcionando rendimentos satisfatórios ao trabalhador e um elevado processo de industrialização. Observa-se, que nesta época, os investimentos públicos estavam focados na educação profissionalizante.

Neste caso, a criação do Sistema S remota do então presidente Getúlio Vargas, que em 1942 determinou o pagamento compulsório vinculado em folha de pagamento, no valor de 2,5%, para estimular o ensino profissionalizante.

Atualmente, está em pauta uma agenda de cursos e a penetração do Sistema S na educação nacional. Segundo o Ministério da Educação, hoje se arrecada R$ 8 bilhões das empresas, devido ao crescimento econômico registrado. Todavia, por que os cursos do Sistema S são pagos, enquanto os mesmos deveriam ser gratuitos? Quais são os retornos das certificações técnicas para o desenvolvimento industrial nos dias de hoje? Quais são as demandas empresariais por treinamentos?

A proposta é a criação de 800 mil cursos técnicos que atendam o mercado. Porém, estima-se que, 50% das matrículas do Sistema S sejam gratuitas e as demais pagas. Outro dado preocupante, dada à relevância do tema é que 40% dos recursos do sistema são destinados para programas educacionais, enquanto os 60% restantes para projetos sociais.

O setor industrial nacional é carente em infra-estrutura e de profissionais como motoristas, soldadores, eletricistas, estivadores e mecânicos. Todavia, a concentração de indústrias está para a região sudeste, onde cursos pagos poderiam ser implementados e avaliados. A função do Sistema S seria em fomentar mão de obra em regiões carentes, com cursos livres e elevada qualidade técnica.

Procura-se justificar as atuais operações do Sistema S, devido ao seu passado vitorioso. Porém, por uma simples análise dos países da OCDE é possível concluir que os mesmos não possuem mecanismos educacionais similares. A opção estaria no investimento público de qualidade no ensino básico e fundamental, deixando para instituições privadas a função de atender a qualificação profissionalizante e desonerando a folha de pagamento. Em ambos os casos, adotar medidas de desempenho que garantam a qualidade do ensino oferecido em busca de ganhos de renda e industrialização seria satisfatório. Este é um tema que merece atenção e profunda reflexão.

Fonte: NewsComex – Hugo Ferreira Braga Tadeu:hugofbraga@gmail.com

Compartilhe:
Brado Logística recebe R$ 377,2 milhões do BNDES para ampliar infraestrutura ferroviária com o Projeto Carrossel
Brado Logística recebe R$ 377,2 milhões do BNDES para ampliar infraestrutura ferroviária com o Projeto Carrossel
Super Terminais amplia infraestrutura portuária com três novos guindastes elétricos e investimento de R$ 120 milhões
Super Terminais amplia infraestrutura portuária com três novos guindastes elétricos e investimento de R$ 120 milhões
Estudo da CNT propõe medidas para fortalecer as hidrovias brasileiras e ampliar a eficiência da logística
Estudo da CNT propõe medidas para fortalecer as hidrovias brasileiras e ampliar a eficiência da logística
SAF brasileiro fortalece liderança do Brasil em biocombustíveis e logística internacional de baixo carbono
SAF brasileiro fortalece liderança do Brasil em biocombustíveis e logística internacional de baixo carbono
Capacitação de motoristas: Mercedes-Benz reforça parceria com a Fabet para formação de profissionais do transporte
Capacitação de motoristas: Mercedes-Benz reforça parceria com a Fabet para formação de profissionais do transporte
E-commerce brasileiro impulsiona social commerce e crescimento do cross border, aponta estudo da DHL
E-commerce brasileiro impulsiona social commerce e crescimento do cross border, aponta estudo da DHL

As mais lidas

01

Nova rota da Maersk fortalece o Porto Itapoá e amplia perspectivas para a logística em Santa Catarina
Nova rota da Maersk fortalece o Porto Itapoá e amplia perspectivas para a logística em Santa Catarina

02

Averbação do seguro de transporte de cargas ganha acompanhamento em tempo real com Ticket Averbei
Averbação do seguro de transporte de cargas ganha acompanhamento em tempo real com Ticket Averbei

03

Logistique 2026 prevê cerca de 800 rodadas de negócios e reforça papel de Santa Catarina como hub logístico
Logistique 2026 prevê cerca de 800 rodadas de negócios e reforça papel de Santa Catarina como hub logístico