Apesar de toda a crise financeira internacional, o Brasil se encontra bastante fortalecido no momento atual, haja vista a conquista do selo de grau de investimento, concedido na primeira quinzena de maio pela agência de classificação de riscos Standard & Poor’s . Os problemas internos nos Estados Unidos vêm abrindo espaço para que os países emergentes, principalmente os que compõem os BRICs, consigam absorver uma parte da fatia dos investimentos mundiais, que hoje começam a sair das mãos dos norte-americanos.
Em linhas gerais, a economia brasileira vai muito bem obrigado, a começar pelo controle da inflação, que apesar de estar um pouco acima dos índices de 2007, mas está abaixo da meta de 4,5% estabelecida para este ano. O controle inflacionário é reflexo direto da política adotada na redução da taxa básica de juros, definida pelo Copom, que hoje está em 11,25% ao ano.
Para este ano, o quadro geral está bem favorável, no que se refere a crescimento econômico; aumento do poder aquisitivo; crescimento do número de abertura de capitais; aumento da arrecadação tributária, por conta do cerco fiscal às irregularidades e informalidades; implantação da nova legislação contábil; fusões de grandes empresas como Bovespa e BM&F, anunciada na última semana de março, entre outros. Aliás, a previsão da Anbid – Associação Nacional dos Bancos de Investimento é de que o ritmo de fusões e aquisições continue crescendo e atribui essa previsão de alta ao grande número de IPOs (ofertas públicas iniciais) que ocorreram em 2007, quando as empresas conseguiram captar investimentos e agora buscam expansão comprando ou se unindo a outras corporações. Tudo isso colocou o Brasil, diante dos investidores, como um país com grau de investimento seguro.
O início deste ano está sendo completamente favorável para os negócios no Brasil e que coloca o País numa posição de destaque no mercado internacional. Com o cenário econômico favorável em 2008, com boas alternativas de captação de recursos e oportunidades de mercado, mais organizações deverão abrir o capital. Essa nova geração de companhias terá níveis superiores de governança corporativa.
Destaco também a aprovação da nova legislação contábil (Lei 11.638), que alterou as normas de contabilidade do País adequando-as aos padrões internacionais IFRS ( International Financial Reporting Standards ). Os reflexos positivos dessa nova legislação não se limitam ao impacto favorável na atração de investimentos. Com padrões universalmente conhecidos, com mais auditoria e melhor divulgação das informações facilita-se análise de crédito, reduz-se o spread bancário e os juros para o capital produtivo, entre outras coisas. Estamos no caminho.
Eduardo Pocetti é diretor de assuntos internos do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil. Fonte: www.dcomercio.com.br







