O tema é recorrente. Raramente as manchetes negativas contendo denúncias de envolvimento de políticos em corrupção saem de cena. Alternam-se nomes, partidos, grupos, pessoas, mas é raro uma edição de um jornal – para ficar só na mídia impressa – em que não haja algum político ou governante notório com seu nome em meio às acusações (e provas) de uso indevido do cargo e dos recursos públicos. Não vou nem nominar hoje. Não é preciso. Penso que como eu o leitor está cansado, enojado e até já indiferente. É muita gente "importante" envolvida em muita sujeira o tempo todo.
Para quem, como eu, prega há tempos a necessidade de investimentos maciços na educação, para melhor preparar nossa massa votante e os candidatos que saem desse mesmo meio, chega muitas vezes a ser desanimador. Não se investe o necessário na educação. Investe-se em migalhas e esmolas sociais que mantêm a massa cativa na hora do voto – mas igualmente em cativeiro -, presa na ignorância e sem capacidade de não depender na vida de favores oficiais. É um novo tipo de escravidão, mal comparando para não minimizar a infâmia cometida durante séculos contra os negros. Tenho certeza que muita gente como eu está perdendo a capacidade de indignar-se (eu não perderei nunca) de tão volumoso e crescente é o quadro de mediocridade que sustenta a vida pública nacional.
Lideranças originadas de diferentes níveis sociais, econômicos, políticos, sejam de elite ou operários, envolvem-se na política, acabam em cargos de representação e direção e levam consigo seus vícios e aspirações escusas, deixando de lado o que seria o seu real motivo de ali estar: representar dignamente a população que os elegeu.
Tenho comigo alguns temores de que essa vulgarização da gestão possa estar contaminando a iniciativa privada. A gestão da coisa pública no Brasil é um horror de mal feita.
Palavras como incompetência, incapacidade, despreparo, má-fé, corrupção, nepotismo, negligência, imperícia, imprudência (aliás, assim se embasa o crime culposo), omissão e outras assemelhadas, são parte estrutural do dia-a-dia da gestão dos recursos públicos. O quanto isso tudo não estará se infiltrando na vida das empresas?
Ouço de especialistas em gestão de recursos humanos que apesar da vitrine de organização e excelência, mais empresas (e mais importantes) do que imaginamos estão internamente em clima de salve-se quem puder . Guetos, panelinhas, sabotagem ao trabalho do colega do lado, desvios, fofocas maledicentes, má vontade, etc. – tudo em nome da "sobrevivência no mundo cruel" – dominam parte do mundo corporativo privado.
A profilaxia política (e a social), sempre recorrentes, precisa prevalecer. Insisto que o único caminho que enxergo é o da educação. Melhorar a qualidade do conhecimento, tirar da ignorância a massa de manobra. A quem interessa isso no mundo dos políticos e governantes? E dentro das empresas?
Teríamos, se investíssemos mais oxigênio na vida pública e formaríamos mais cidadãos produtivos e consumidores, para participar sadiamente da vida econômica (e política) do País.
Fonte: www.dcomercio.com.br







