Muitos profissionais da área poderão estranhar a discussão no momento em que se fala em greve dos auditores da Receita Federal, onde os fluxos de comércio internacional do país estão prejudicados e, o segmento de transportes e logística contabiliza prejuízos de cerca de US$ 14 milhões. Mas acredito ser uma ocasião oportuna para analisarmos com mais cuidado e profundidade o tema.
Recentemente participei do Fórum Parcerias Internacionais em Logística, realizado pela Fundação Getúlio Vargas, que aconteceu em paralelo à Intermodal South America 2008, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.
Foram dois dias de intensos debates e reflexões sobre a questão logística brasileira e do chamado Supply Chain, que nada mais é que a integração dos diversos processos de negócios e organizações, desde o usuário final até os fornecedores originais.
O objetivo do Fórum, coordenado pelo professor Manoel Reis do Centro de Excelência em Logística e Cadeias de Abastecimento da Fundação Getúlio Vargas, foi expor e discutir as recentes parcerias desenvolvidas entre entidades brasileiras e outros países, para aprimorar a logística e infra-estrutura no Brasil.
Importantes temas foram abordados, e inúmeros casos de sucesso foram apresentados. Destaques para as discussões sobre a utilização das novas tecnologias na padronização e colaboração global na logística, e, para a experiência da empresa Odebrecht em Angola, onde foi contratada pelo governo angolano para implantar uma rede de supermercados naquele país e administrar toda sua rede logística.
Foram também apresentados os projetos de desenvolvimento logístico do Estado da Bahia, que é realizado em parceria com o governo espanhol e, do Estado do Rio de Janeiro que é realizado em parceria com Hamburgo. O governo carioca, através de seu Secretário de Desenvolvimento Econômico, Jorge Cunha, do mesmo modo apresentou o projeto, já em construção, do novo Porto do Açu, empreendimento viabilizado pelo empresário Eike Batista, que será um grande complexo logístico e industrial e irá gerar US$ 1,5 bi em exportações de minério de ferro por ano.
Mas, o maior destaque ficou para a apresentação do Projeto franco-brasileiro de implantação de Plataformas Logísticas do Estado de São Paulo. Apresentado pelo Assessor de Planejamento da Secretaria dos Transportes do Estado, Milton Xavier, e pelo Vice-Diretor Geral do Estabelecimento Público Fundiário Provence-Alpes-Côte d’Azur e Especialista da Adéfrance, Emile Bayer. O projeto visa reorganizar processo logístico em todo Estado e conseqüente desafogo no trânsito da metrópole. Segundo Bayer, a solução para São Paulo seria a implantação de ‘Plataformas Logísticas Multimodais’ na periferia do Estado em locais estratégicos e servidos pelo rodoanel e um ferroanel, propiciando uma perfeita sinergia entre as empresas de transporte.
Esta idéia se encaixa perfeitamente com o projeto da construção do Centro de Logística de Jundiaí (Celog-J), o qual se pretende efetivar nos próximos anos numa área de 5,25 milhões de metros quadrados.
Todos nós já estamos cansados saber da vocação logística de nossa cidade, sua localização, sua excelente infra-estrutura, rodovias, ferrovia e porto seco. Também sabemos do enorme crescimento do setor, fruto de uma política focada no desenvolvimento sustentado. Mas podemos avançar muito mais nesta área. Talvez a criação de uma Diretoria ou até uma Secretaria focada na logística e Supply Chain seria uma forma de dinamizar o trabalho que já vem sendo desenvolvido em parcerias com diversas outras secretarias e com a Área Internacional do executivo municipal. Não esquecendo, é claro, da comunhão de esforços com todos os municípios vizinhos, promovendo assim um crescimento conjunto regional.
A cidade de Jundiaí tem tudo para se tornar um dos mais importantes pólos logísticos do Brasil e não podemos deixar de colaborar neste processo.
Leandro Nalini é diretor técnico da Área Internacional da Prefeitura de Jundiaí.lnalini@jundiai.sp.gov.br / www.nalini.zip.net





