A cidade de São Paulo é sabidamente o grande centro financeiro do país, concentrando um volume de riquezas que condiz com a movimentação de gente de todo o país na metrópole. Mas, em parte, é exatamente essa condição de centro catalisador que compromete hoje o seu fluxo de crescimento, que tende à estagnação se não houver uma intensa mobilização no sentido de reduzir o fluxo de veículos em uma malha viária já saturada.
O debate atual gira em torno de muitas e muitas alternativas e, por vezes, esbarra no mero palpite. É consenso, por exemplo, que o investimento na rede de Metrô é essencial, tanto quanto a necessidade de melhorar a qualidade do transporte feito por ônibus e a conclusão do Rodoanel metropolitano. Mas há polêmicas relacionadas a possíveis mudanças no rodízio de veículos ou mesmo em relação à cobrança de pedágio urbano.
Em meio a isso, uma proposta que poderia ser discutida para implantação em médio prazo é a descentralização administrativa do Estado, que hoje reúne todos os seus órgãos públicos dentro da metrópole. É um processo que pode parecer lógico sob os pontos de vista político e financeiro, mas que contribui sobremaneira para a atual situação de colapso no trânsito.
Por descentralização administrativa, é possível entender que certos órgãos públicos poderiam muito bem ser levados para fora de São Paulo, sem qualquer prejuízo para a gestão e para a política do Estado. Além da redução nos deslocamentos e no tráfego de veículos, é uma medida que pode levar investimentos para as cidades e regiões escolhidas. Seria enorme o incentivo à economia de uma cidade do interior que tivesse a oportunidade de sediar uma secretaria.
Um exemplo concreto é o da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Não faz o menor sentido deixar uma estrutura administrativa desse porte dentro de uma metrópole com vocação claramente voltada à prestação de serviços. Este é um órgão do poder público que deveria estar no interior, próximo aos grandes centros produtores, e não nas imediações de uma das avenidas mais congestionadas da capital paulista.
Em nome da infra-estrutura de escoamento e logística do Estado, é preciso pensar em alternativas emergenciais para reduzir o fluxo de veículos por aqui. Se esta proposta de descentralização administrativa não tem o poder de, por si só, acabar com o colapso do transporte em São Paulo, é uma medida a ser pensada como outras tantas para evitar que, dentro de poucos anos, a cidade pare de vez.
Aldo Demarchi – Deputado estadual (DEM-SP) e presidente da Comissão de Transportes da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.
Fonte: www.canaldotransporte.com.br





