Piora a balança comercial

17/04/2008

De uma hora para outra, as autoridades passaram a dizer que um aumento na taxa de juros não afetará a economia. Curiosa metamorfose, já que essas mesmas autoridades repetiram ad nauseam , no passado, que não haveria mal maior à nossa economia que uma subida dos juros.

É claro que não se pode questionar o emprego do instrumento monetário contracionista se o instrumento fiscal permanece francamente expansionista. Pode-se, sim, dizer que está sendo imposta ao Banco Central a tarefa de enxugar gelo. Mas não se pode dizer que um aumento de juros não terá efeito sobre a economia.

Um dos principais efeitos já está se fazendo sentir pela via da desaceleração do crescimento das exportações e na aceleração do crescimento das importações. Juros mais altos que seus congêneres no exterior atraem capitais de curto e longo prazos e mantêm valorizado o câmbio – estimulando as importações e reduzindo a rentabilidade das exportações. A queda do saldo comercial, portanto, já era esperada. O que estamos assistindo agora, contudo, é uma reação exagerada em alguns segmentos do governo, que clamam por medidas emergenciais de socorro às exportações, em lugar de clamar por redução do gasto público.

Os especialistas nos advertem que o crescimento das exportações em 2008 depende da expansão de nossas vendas de commodities, notadamente de petróleo e derivados, minério de ferro e do complexo soja. Com o preço do petróleo acima de US$ 110 o barril, não é preciso muito engenho para perceber que o petróleo e seus derivados vieram para ocupar o principal posto na pauta de exportações. Espera-se que o aumento da produção interna, conjugado com a forte alta dos preços no mercado internacional, devam assegurar receita de exportação expressiva desse conjunto de produtos.

O mesmo está acontecendo com o minério de ferro. Os preços subiram mais de 70% no mercado externo e os novos contratos de fornecimento de longo prazo às siderúrgicas asiáticas e européias já incorporam o novo cenário de preços. A Vale do Rio Doce , principal exportadora, vem mantendo e aumentando seu programa de investimentos, de forma a assegurar a capacidade de fornecimento aos consumidores externos e internos. Finalmente, também o preço da soja no exterior é altamente remunerativo aos produtores internos.

Neste primeiro trimestre, no entanto, tanto as exportações de petróleo e derivados como as exportações de minério de ferro tiveram um desempenho muito aquém do esperado, dadas as condições da demanda externa, os preços dela resultantes e nossa capacidade de atender ao mercado. Como aponta o Boletim do ICEG de abril, o volume embarcado de petróleo caiu 48%, levando a uma queda na receita de 8,3% – a despeito de um aumento nos preços da ordem de 77%.

No total, a participação das commodities no crescimento global das exportações, no primeiro trimestre do ano, caiu para 27%, comparado a uma participação de 50% nos anos anteriores. Escaparam desse quadro apenas os embarques do complexo soja. O quadro da exportação de commodities é ainda mais desalentador quando se considera somente o mês de março, que mostrou uma queda de 8,8% relativamente a março de 2007.

A situação da balança comercial não se deteriorou ainda mais pelo fato de que a taxa de crescimento das importações caiu de 54,5% no primeiro bimestre para 21% em março. Todas as categorias de uso – bens de consumo, matérias-primas e bens de capital – mostraram recuo nas importações. Essas duas últimas categorias de importações são justamente as vinculadas ao crescimento industrial, que vem batendo recordes, mês após mês, este ano.

Ainda é cedo para traçar um diagnóstico completo do comércio exterior neste primeiro trimestre do ano, tudo indicando tratar-se de um agravamento conjuntural de uma situação crônica causada pela valorização do câmbio. Importa, no entanto, reconhecer que o quadro poderá deixar de ser conjuntural para tornar-se estrutural se o câmbio persistir se valorizando.

Fonte: www.dcomercio.com.br

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