As bolhas explodem na água

12/11/2008

A crise que todos adivinhavam (e nada fizeram para evitar) chegou, e veio para ficar por um bom tempo, em todo o mundo. Algumas economias, mais fortes, estão sentindo um friozinho na espinha. Outras, mais frágeis, sucumbirão. Como a Islândia, que tombou com a primeira lufada de vento contrário.

Enquanto a economia mundial se reorganiza e os mercados se reposicionam para enfrentar a nova realidade, muita turbulência localizada ainda ocorrerá. Turbulência que, numa economia globalizada, pode originar novas tempestades mundiais, já que o sistema em si é muito frágil e despreparado, por mais fortes que sejam individualmente seus países componentes.

Então, é hora de os embarcadores e transportadores se prepararem para as marolas que ocorrerão, e que podem ser de vários tipos. Descumprimento de contratos de transporte por terem as contratadas simplesmente ido à falência. Ou porque as contratantes foram primeiro à bancarrota, deixando de entregar os produtos às transportadoras. Navios que deveriam partir cheios podem, por isso, sair com bem menos carga do que o previsto. Se é que as respectivas armadoras têm condições financeiras de se manterem ativas…

Mesmo que todo o sistema de transportes funcione, a carga seja embarcada e transportada, pode acontecer de, quando chegar ao destino, já não exista mais o importador. Falido. E se até as empresas de seguro estão inseguras, algumas falindo ou sendo vendidas, também não se pode contar muito com o reembolso securitário, para cobrir tais situações. E, com o câmbio instável, moedas virando pó, até esse reembolso, se ocorrer, pode não chegar intacto às mãos do segurado. No caminho, pode ser devorado pela depreciação monetária (sejamos otimistas: também pode ser duplicado pela valorização cambial!).

Em tais momentos, não basta ter um Plano B. É preciso estudar todas as alternativas, imaginar todos os cenários. Mais: é preciso atualizar as informações a cada instante. Ignorar aquela conversa dos governos, de que a crise já passou, ou está terminando. Pois seus efeitos se prolongam no tempo, nem sempre quem resiste ao primeiro choque tem condições de continuar resistindo aos choques seguintes, ainda que bem menores. Após o primeiro choque, as mudanças provocam elevação de custos, restrição de crédito, e essas alterações podem ser fatais para quem ainda está se recompondo desse choque.

Não é só uma questão de logística de transportes, de fazer uma carga sair da fábrica e chegar à loja, desviando de guerras e terremotos. É preciso conferir até mesmo se as estradas ainda estão viáveis, se os navios estarão mesmo nos portos de carregamento, e principalmente, se os bancos têm condições de funcionar pelo menos até que a transação se complete. E se as seguradoras e resseguradoras são (ou melhor: estão) firmes o suficiente para que o exportador e o transportador não fique… a ver navios.

Quando as "bolhas" de euforia econômica explodem, muita coisa está em curso, decorrente das expectativas criadas, e é nos mares que essa explosão é sentida, pois essa euforia gerou vendas, as mercadorias vendidas estão sendo transportadas. Nesse período de transporte, um grande negócio pode ter virado um extraordinário prejuízo. Neste momento, quantos navios cruzam os mares do mundo, ainda levando cargas para a Islândia?
 


Carlos Pimentel Mendes
é jornalista e edita o site Novo Milênio (www.novomilenio.inf.br): pimentel@pimentel.jor.br

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