Planejamento portuário

23/10/2008

Há duas semanas, a opinião do ministro dos Portos Pedro Brito ganhou destaque “assim como o Porto de Santos, os portos brasileiros nunca tiveram planejamento que garantisse ao setor se preparar para o futuro para atender à demanda crescente e para ter uma integração com os diversos modais. Estamos já com uma licitação em andamento que vai fazer o planejamento portuário nacional para os próximos 30 anos".

E, mais adiante, definindo o que é um terminal privativo, ele diz: “é aquele terminal que vai atender os negócios de verticalização das empresas. O terminal privativo será uma extensão das empresas. Neste caso, estamos falando muito objetivamente dos terminais privativos que vão atender à Vale, à Petrobrás, à Bunge, à Cargill… enfim, várias empresas que precisam de portos como parte de seus negócios. Uma mineradora que explora o ramo de minério e que precise exportar minério, é natural que essa empresa precise de um porto com essa finalidade. Então, esse atendimento será sempre imediato."

Para não atrapalhar os negócios das empresas brasileiras ou estrangeiras, ainda segundo o ministro dos Portos, a empresa que precisar de um terminal para operar o seu negócio será imediatamente autorizada.

Não pretendemos discutir, analisar ou manifestar nossa opinião a respeito do que diz o ministro, apenas colocar de que forma entendemos. De fato, há 30 anos, pouquíssimos portuários tinham idéia dos efeitos que o processo de conteinerização iria ter nos portos. Hoje, sabemos que é o contêiner que define o projeto portuário; só não sabemos, ainda, se os contêineres continuarão a ser como são hoje. Mas a análise das tendências nos fornecem parâmetros confortáveis para o planejamento portuário.

Considerando, por outro lado, o conceito de "neogranelização", atribuída ao uso de contêineres, e ainda, ao fato do contêiner se constituir em um equipamento de transporte, via de regra vinculado às armadoras, e não à carga geral, podemos admitir que as armadoras e/ou seus representantes legais (agências de navegação) terão o mesmo tratamento que as exportadoras de commodities, visto ser natural a necessidade de um terminal para o seu negócio. Nada contra!

Mas é preciso considerar essa possibilidade para planejar a Autoridade Portuária desejável. No limite, a Autoridade Portuária não é e nem será uma operadora portuária, tampouco deve exercer as funções de proteção patrimonial dos terminais particulares. Não será mais a executora das operações e sim sua normatizadora e fiscalizadora. Então, normatizadas os operações, sua fiscalização pode ser feita pelos resultados obtidos obedecidas as normas estipuladas.

O mesmo, deveria ser feito com relação às infra-estruturas portuárias, tanto terrestres quanto aquaviárias, e com a dragagem no meio. Assunto do próximo artigo.
 

Luiz Alberto Costa Franco é engenheiro civil, foi chefe dos serviços de dragagem do Porto de Santos e diretor de engenharia da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

 

Fonte: PortoGente – www.portogente.com.br

Compartilhe:
Marq Logistics fortalece portfólio de ativos last mile com entrega do parque logístico Marq Logistics SP Taboão
Marq Logistics fortalece portfólio de ativos last mile com entrega do parque logístico Marq Logistics SP Taboão
Loadsmart inicia operação no Brasil com plataforma Opendock para gestão de pátios
Loadsmart inicia operação no Brasil com plataforma Opendock para gestão de pátios
Akad Seguros aposta em plataforma digital para ampliar em 30% sua base de clientes em transportes
ASUR conclui aquisição da plataforma aeroportuária da Motiva e inicia oficialmente sua atuação no Brasil
ASUR conclui aquisição da plataforma aeroportuária da Motiva e inicia oficialmente sua atuação no Brasil
Universo TOTVS 2026 vai abordar IA, automação e gestão para logística e distribuição
Universo TOTVS 2026 vai abordar IA, automação e gestão para logística e distribuição
Suzano adquire 10% do empreendimento portuário Imetame Logística Porto, em construção no Espírito Santo
Suzano adquire 10% do empreendimento portuário Imetame Logística Porto, em construção no Espírito Santo

As mais lidas

01

Benel investe R$ 45 milhões em novos veículos e equipamentos de transporte no primeiro semestre de 2026
Benel investe R$ 45 milhões em novos veículos e equipamentos de transporte no primeiro semestre de 2026

02

Amazon abre 30 vagas no programa de trainees de operações em São Paulo, Amazonas e Rio de Janeiro
Amazon abre 30 vagas no programa de trainees de operações em São Paulo, Amazonas e Rio de Janeiro

03

INTRA-LOG Expo 2026 debate o futuro da logística e embalagens com megahub de eventos em São Paulo
INTRA-LOG Expo 2026 debate o futuro da logística e embalagens com megahub de eventos em São Paulo