O fenômeno da propagação das ondas

29/12/2008

As condições meteorológicas verificadas no início deste mês de dezembro de 2008, além de nos causar consternação pelos efeitos devastadores em Santa Catarina, provocaram surpresas e espanto também na Baixada Santista.

Primeiro, pelas baixas temperaturas registradas, praticamente em todo território nacional. Segundo, pelas ressacas ocorridas na orla da praia de Santos e, em especial, na de São Vicente.

Em um dos telejornais da região, foram mostradas "ondas" na praia do Gonzaguinha, nos trazendo à baila a destruição de São Vicente, pela ação do mar, nos idos de 1542. As "ondas" mostradas em vídeo nos deram a certeza e a confirmação do que já havíamos dito há muito tempo.

Não há formação de "ondas" na praia da Baía de São Vicente e tampouco houve maremoto ou tsunami que justificasse aquele cataclismo. Senão vejamos: a existência de um trem de onda só ocorre se houver vento suficiente para provocar o encrespamento da superfície d’’água. Esse vento deve ter intensidade e duração de ação sobre a superfície (fetch) capazes de provocar esse movimento.

A ocorrência de ventos, por sua vez, acontece quando duas massas de ar de densidades diferentes (pressões diferentes) se misturam, provocando um fluxo de ar da região de maior para a de menor pressão, até igualar as duas diferentes pressões. Quando o vento começa a tomar velocidade, em virtude da intensidade e do fetch, acontece a interferência do movimento de rotação da terra.

Não há, naquela região, condições geográficas que pudessem permitir esse fenômeno face à sua situação de abrigo tanto pelo lado de mar como pelo lado de terra. Suponhamos que houvesse uma onda episódica, de grande altura, adentrado pela Baía de Santos (fato que teria registro obrigatório). Pela conformação da praia, ela teria quebrado muito antes de chegar ao local do antigo povoado. As ondas quebram, nas regiões costeiras, ao atingirem profundidades iguais a um terço de sua altura.

A altura da onda depende, como já ressaltado, da força do vento, da distância do local de origem e do período de duração do vento (em locais próximos, o período de duração é pequeno). É possível se somar à ação do vento, atividades vulcânicas, maremotos e terremotos gerando tsunamis. Não ocorre tsunamis em pontos tão restritos e locais, como seria o antigo sítio da primeira povoação de São Vicente.

É tão pouco compreendido o fenômeno da propagação das ondas, que acho interessante nos determos um pouco mais nesse assunto.

A onda, originada pelo atrito do ar (vento) com o meio líquido (superfície do mar ou lagos muito extensos), se propaga, como energia, a uma velocidade que não é igual à velocidade da água que imaginamos ocorrer na crista da onda. As cristas, em deslocamento, provocam a aparência de movimento, tal qual as olas de torcidas num campo esportivo. As pessoas continuam paradas, mas geram um movimento que insinua um deslocamento. As moléculas da água presentes nas cristas das ondas não se movem na superfície do mar como a ilusão da onda sugere.

As ondas são caracterizadas pela altura – medida vertical entre a crista e o cavado -, pelo comprimento de onda – a distância horizontal entre duas cristas ou dois cavados de ondas sucessivas – e pelo tempo de passagem de duas cristas de ondas sucessivas pelo mesmo ponto. Essas características e mais a frente de onda – distância transversal de uma mesma crista, o mesmo fenômeno que proporcionou o recorde de surfistas em uma mesma onda – definem a quantidade de energia transportada, cuja liberação ocorre na rebentação. Pois bem, em momento algum, notou-se a presença de qualquer uma dessas características, apesar de aparentemente existir uma "rebentação".

Mas, então, o que foi mostrado? O que teria ocasionado o ocorrido? E o que foi mostrado poderia causar a destruição da primitiva povoação?

Claro que sim. Porém, por não se tratar de ondas, será um próximo assunto.

 

Fonte: PortoGente – www.portogente.com.br

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