Sinais dos novos tempos!

24/11/2008

Há alguns meses o mercado de logística e transportes, em um âmbito nacional e mundial, vem apresentando sinais do início de uma nova fase, que é parte do processo de amadurecimento do setor.

Mudanças significativas, e de caráter estrutural, têm ocorrido nesse mercado, a uma velocidade e intensidade muito acima das expectativas dos profissionais do setor.

Em 2001, a compra da Delara pela ALL, parecia ser um fato isolado, em um mercado ainda em maturação. Mas, na verdade, era um prenúncio das diversas novidades que ainda viriam pela frente.

A aquisição da Transportadora Mercúrio pela TNT surpreendeu muita gente, ainda mais por tratar-se de um dos maiores ícones do setor de transportes de cargas do Brasil. A própria TNT protagonizou, recentemente, dois interessantes episódios que ilustram perfeitamente a dinâmica do setor. Um deles envolveu a venda da sua divisão de logística, a TNT Logistics, para um grupo de investidores norte-americano e no outro, em Novembro passado, a venda da TNT Freight Management para a francesa Geodis. Vale lembrar que no final de 2005 DHL e Exel realizaram o maior negócio do setor, criando uma empresa com 500 mil funcionários e receita de 55 bilhões de euros.

Também recentemente, cinco tradicionais empresas do setor de transporte de cargas (Ajofer, Fantinati, Transvec, Trans-Postes e XV de Novembro), localizadas na região ABC de São Paulo, resolveram unir suas forças e criar uma nova empresa de logística e armazenagem, batizada de Mestralog.

Outras empresas vêm inovando na forma como estão se posicionando comercialmente, buscando a especialização em determinados nichos de mercado, como é o caso das empresas de intralogística como Dipack, GenteLog, Somov e Célere.

Algumas empresas começam a se estruturar por unidades de negócio, em um modelo de menu de empresas, criado pela Fedex há alguns anos atrás. No Brasil, provavelmente o Grupo Luft tenha sido o precursor desse sistema de trabalho, o que deve explicar, em parte, o crescimento registrado pela empresa nos últimos anos.

A multimodalidade, antes rechaçada por muitas empresas do transporte rodoviário de cargas, se torna realidade. É o caso da Braspress, uma das maiores empresas de carga expressa do Brasil, que desde meados no ano passado conta com a Air Minas. Nessa mesma linha, temos outro exemplo, o da Transportadora Sulista, que possui a Total Linhas Aéreas. Tradicionais empresas do transporte rodoviário de cargas estão adotando parcerias com o setor aéreo, ferroviário e cabotagem, como Atlas Transportes, Rapidão Cometa, Transportes Bertolini, dentre diversas outras. O que antes era uma ameaça ao negócio, passou a ser uma necessidade e uma forma de obter maior competitividade junto à carteira de Clientes.

E não se surpreendam com a entrada de novas empresas no setor de prestação de serviços logísticos. Não estou falando da provável vinda de outros Operadores Logísticos multinacionais para o Brasil, mas de empresas atuantes no ramo industrial. Já pensou numa Vicunha, Gerdau, Ambev ou Petrobrás Logística? Essa é uma tendência na Europa, que quem sabe, não poderá influenciar as grandes empresas aqui no Brasil.

Também assistiremos a um maior equilíbrio de forças entre Embarcadores e Transportadoras e Operadores Logísticos.  A diferença descomunal existente,a a favor dos Clientes, deverá desaparecer, e presenciaremos diversas situações em que os prestadores de serviços tomarão a iniciativa de entregar o Cliente. Mera questão de lucratividade!

Novos tempos se aproximam. Paradigmas estão sendo quebrados (melhor seria dizer atropelados!) e novos conceitos e valores estão emergindo. O que ainda há por vir? É preciso estar atento aos fatos relevantes do mercado, entender os possíveis desdobramentos e antecipar-se aos eventos futuros.

A palavra-chave do momento é INOVAÇÃO. Aqueles que não se atentarem a esse fato, se transformarão em meros espectadores do mercado.

E nesse mercado, precisamos correr muito para permanecermos no mesmo lugar! E num mercado que cresce ao redor de 20% ao ano, não podemos ficar parados!

 

Marco Antonio Oliveira Neves é Diretor da Tigerlog Consultoria, Hunting e Treinamento em Logística Ltda

 

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