Picking no depósito: tecnologia levanta a voz

26/04/2010

No segmento logístico, a coleta de produtos (ou picking) é um dos processos mais importantes dentro do depósito, sendo fundamental para a eficiência de toda a cadeia de distribuição – não é à toa que a atividade concentra, em média, até 60% do orçamento de uma companhia do setor. Esse fato não sofreu alterações com o crescimento e as mudanças no mercado de Supply Chain. Com mais concorrentes e os novos players do setor de e-commerce, aumentou-se também a demanda por serviços com qualidade cada vez mais elevada.

Na expectativa de que novas e modernas tecnologias aprimorem a movimentação de mercadorias dentro do depósito, Operadores Logísticos se perguntam qual a melhor alternativa. Essa dúvida surge particularmente para duas das soluções mais recomendadas para automatizar o picking: hardwares equipados com scanner (como os leitores de códigos de barras) e a coleta de dados por comando de voz. Qual a mais eficiente? Qual gera mais rapidamente o retorno sobre o investimento (ROI) e os melhores resultados em termos de qualidade nos serviços?

Analisando ponto a ponto, é possível dizer que a coleta por voz (ou voice picking) é atualmente uma das soluções que melhor atende às atuais necessidades do mercado, diante de uma forte demanda por processos logísticos mais rápidos e menos dispendiosos. Composto basicamente por um terminal portátil, um fone de ouvido (ou head set) e um software de integração com o WMS – aplicativo de gestão específico para depósitos –, o sistema interpreta a voz humana, interage com dados do WMS e retorna instruções audíveis. Portanto, faz a conversão de dados em voz e de voz em dados.

Na prática, um dos grandes benefícios do voice picking é a agilidade na movimentação de mercadorias, uma vez que mantém as mãos do operador livres para manipular produtos, dispensando-o de anotar informações em papel. Embora também seja uma solução muito eficiente para operações no depósito, coletores equipados com scanner exigem que o usuário guarde o equipamento na cintura ou o conserve em local seguro antes de transportar um produto, o que afeta a agilidade do trabalho.

Devido à integração com o WMS e outros sistemas de gestão, o voice picking é capaz de baixar rapidamente no terminal de cada operador os dados das cargas a serem coletadas diariamente. A tecnologia também agrega qualidade à gestão de inventário. Caso haja produtos estocados em um volume menor do que o estabelecido, por exemplo, o usuário pode utilizar um comando de voz para “avisar” o sistema, que emite um aviso para que o setor em questão seja recarregado.

A coleta por voz também gera mais satisfação entre os operadores, devido à maior autonomia no controle do processo e à menor dificuldade na operação. Isto sem falar na flexibilidade – a solução pode, por exemplo, ser facilmente utilizada em conjunto com trajes pesados para ambientes refrigerados, ao contrário dos scanners, que exigem digitação.

Os treinamentos necessários para a utilização do voice picking são rápidos e demandam investimento reduzido. Isto ajuda a tornar a tecnologia mais vantajosa financeiramente, ao lado dos maiores ganhos e do rápido ROI – em média, atingido entre seis e nove meses. A consultoria norte-americana Tompkins Associates dá como exemplo uma companhia que, logo no primeiro ano de utilização da coleta por voz, reduziu em 50% o volume de carga retornada devido a erros no processo, com economia de US$ 1,3 milhão e queda de 11% no déficit.

Outro grande benefício do voice picking – e que no futuro pode ajudar a impulsionar os investimentos na tecnologia – é a capacidade de integração com o RFID (identificação por radiofrequência). Isto ocorre a partir da incorporação de um leitor portátil de tags RFID ao terminal de voz, o que possibilita a comunicação entre essas etiquetas e comandos de voz. Desta forma, o sistema “lê” e “fala” ao operador as ações a serem tomadas, ao mesmo tempo em que se encarrega de transmitir informações ao WMS.

Apesar das vantagens apontadas sobre a coleta de dados por voz, é importante realizar uma análise completa do depósito, detectar seus principais gargalos e demandas e, só então, selecionar a tecnologia mais adequada para as operações de automação. A verdade é que em TI há um leque de possibilidades para diversas aplicações, e é justamente por isso que as empresas precisam estar informadas sobre as tecnologias mais eficientes e confiáveis do mercado.

Wagner Bernardes – diretor de marketing e vendas da Seal Tecnologia
dmeira@brsa.com.br

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