Transportes Gabardo fecha 2025 como primeira transportadora Carbono Negativo do mundo

A Transportes Gabardo encerrou 2025 com um marco inédito na logística global ao se tornar a primeira transportadora do mundo certificada como Carbono Negativo, além de registrar faturamento de R$ 900 milhões. O reconhecimento internacional foi concedido pela Global Certification System (GCS) e atesta que a empresa remove da atmosfera mais gases de efeito estufa do que emite em suas operações. O resultado ganha ainda mais relevância por ocorrer um ano após as enchentes que inundaram cerca de um terço da frota da companhia, exigindo reorganização operacional e investimentos adicionais.

Com sede em Porto Alegre (RS), a transportadora atingiu o status de Carbono Negativo com base em dados consolidados de 2024. Os números, assim como os certificados de compensação, foram auditados pela consultoria Worton. O levantamento considerou, entre outros fatores, práticas sustentáveis relacionadas à formação de estoque florestal e orgânico do solo, incluindo o plantio de árvores em propriedades da empresa no Rio Grande do Sul e em Goiás, além do manejo sustentável da agricultura.

Transportes Gabardo fecha 2025 como primeira transportadora Carbono Negativo do mundo
Sérgio e Sérgio Miguel Gabardo

Entretanto, o processo de gestão das emissões não é recente. A Gabardo monitora seus gases de efeito estufa desde 2017 e, já em 2018, passou a neutralizar integralmente suas emissões por meio de projetos voluntários de compensação. A partir de 2023, a empresa passou a divulgar seus dados em plataformas oficiais, como o GHG Protocol, alcançando o status Carbono Negativo apenas um ano depois.

“A gente sempre diz que ser Carbono Negativo não é apenas uma certificação ou um título para expormos aos nossos clientes; é um modelo de negócio”, afirma o fundador da empresa, Sérgio Gabardo. Segundo ele, o tema ganha ainda mais relevância em um contexto marcado pela instituição do Mercado de Créditos de Carbono no Brasil, por meio da Lei 15.042, sancionada em dezembro de 2024, e pela realização da COP 30, em Belém (PA).

Além da compensação ambiental, a Gabardo adota práticas de sustentabilidade em diversas frentes operacionais. Entre elas estão a gestão e reciclagem de resíduos, a reutilização da água na higienização da frota — com reaproveitamento do recurso hídrico em mais de um ciclo — e a geração de energia limpa por meio de painéis fotovoltaicos para aquecimento de água. Essas iniciativas resultam em uma compensação anual de cerca de 81 mil toneladas de dióxido de carbono, frente a uma emissão de 57 mil toneladas, gerando um crédito de 23 mil toneladas e um saldo ambiental positivo próximo de 50%.

Investimentos na frota e crescimento

A preocupação ambiental também se reflete na renovação constante da frota. Até o final de 2025, 70% dos veículos da empresa devem atender ao padrão Euro 6, que estabelece limites mais rigorosos para a emissão de poluentes. Em setembro, a Gabardo anunciou a aquisição de 300 caminhões Volkswagen 19.380 Constellation, com entregas graduais de 30 unidades por mês até meados de 2026. A estratégia mantém o compromisso de utilização das cegonheiras por até três anos, além de garantir manutenção contínua dos veículos mais antigos.

A certificação Carbono Negativo e as negociações para renovação da frota ocorreram no mesmo período da 24ª edição da TranspoSul, maior feira de transporte e logística da região Sul, onde a empresa foi homenageada pelo reconhecimento inédito.

Esse posicionamento ambiental também acompanha a expansão do portfólio de clientes, incluindo a montadora chinesa BYD, para o transporte de veículos produzidos na planta de Camaçari (BA). “Isso demonstra que nossas decisões não são de graça, são um movimento estratégico e de posicionamento frente um mercado que está mudando dia após dia – e continuaremos à frente desta mudança”, afirma Gabardo.

Para 2026, a empresa projeta alcançar R$ 1 bilhão em faturamento, consolidando uma trajetória de recuperação após a pandemia e as enchentes. Em 2022, a receita era de R$ 500 milhões, o que indica que, em três anos, a companhia dobrou de tamanho, mantendo uma média de crescimento anual de 22,5% entre 2020 e 2025.

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