Fórmula E emprega tecnologia de ponta para os carros rodarem. E a ABB faz parte deste universo

Aconteceu no último sábado, dia 06 de dezembro, no sambódromo do Anhembi, em São Paulo, SP, mais uma edição do ABB FIA Formula E World Championship, do qual a ABB é principal patrocinadora desde 2018 e que também serve como uma vitrine para a empresa: tecnologias testadas sob condições extremas de corrida estão sendo aplicadas à infraestrutura comercial de carregamento no Brasil.

Fórmula E emprega tecnologia de ponta para os carros rodarem. E a ABB faz parte deste universo

Papel central

Durante uma apresentação técnica, o CTO da categoria, Dan Cherowbrier, detalhou como a operação global da competição depende de uma infraestrutura complexa de energia, telecomunicações e tecnologia — incluindo soluções da ABB.

Cherowbrier explicou que sua equipe é responsável por toda a espinha dorsal tecnológica do evento. “Nós cuidados de toda a parte de produção de televisão, dos sistemas de comunicação e de todos os serviços de segurança, como as luzes de largada”, afirmou.

Segundo ele, a ABB desempenha um papel central nessa engrenagem. “Nós usamos a tecnologia de carregamento de carros. Dela, nós também usamos equipamentos de energia ininterrupta para a produção de televisão e para toda a nossa TV de segurança, rádio, etc.”, detalhou.

Um dos destaques é o OptiMax, sistema de gerenciamento e otimização de energia da ABB. “Ele nos ajuda a operar todo o circuito como uma cidade inteligente, integrando dados de múltiplos pontos do circuito. Com isso, podemos gerenciar a carga elétrica que temos”, disse.

Carregamento das baterias

Já o especialista de produtos para Eletromobilidade da ABB Brasil, Pedro Henrique Monteiro Marinho, detalhou os bastidores dos carregadores de baterias usados na Fórmula E, explicando como a tecnologia empregada no campeonato se conecta ao que já existe no mercado brasileiro de eletromobilidade. Ele esclareceu que os equipamentos utilizados pelas equipes são versões compactas e móveis dos carregadores rápidos comerciais da marca.

“O que usamos na Fórmula E é um carregador de 160 kW, que pode carregar dois carros ao mesmo tempo a 80 kW”, afirmou Marinho. Segundo ele, o carregamento completo de 0% a 100% leva cerca de 45 minutos, mas isso não é feito a cada etapa. “Normalmente, por causa do balanceamento de bateria e para analisar se está tudo certo, eles carregam de 0 a 100% por dia. Outro dia eles carregam de 50% a 75%, depois de 75% até 100%”, explicou.

Marinho destacou que os carregadores usados no paddock são versões especialmente adaptadas para a rotina itinerante da Fórmula E. “Os carregadores são um modelo específico desenvolvido para a Fórmula E. Eles são compactos. Aqui, mudamos o formato para uma caixinha mais móvel, de modo que as equipes possam mover e viajar com esses carregadores para outros países.”

Apesar da mudança externa, a tecnologia é idêntica à dos modelos vendidos no Brasil. “É o mesmo carregador, a parte interna é a mesma do que temos para o mercado aqui no Brasil, as proteções internas são as mesmas. Só que aqui desenvolvemos um formato mais compacto”, disse.

O modelo mais próximo do utilizado nas pistas é o All-in-One, que a ABB oferece no Brasil em versões de 120, 150 e 170 kW. No caso da Fórmula E, o equipamento é de 160 kW, dividido em 80 kW por conector. “O conector SCS2 é o mais comum que temos para carga rápida no Brasil também”, observou.

Marinho também afirmou que a bateria regenera quase 50% durante a corrida. Segundo ele, essa regeneração é tão relevante que interfere diretamente no comportamento em pista. “Eles começam sem nada… e você pode perceber que durante a corrida eles sempre ficam em fila indiana, que é justamente para fazer essa regeneração de bateria.”

O engenheiro acrescentou que um ciclo completo de carga é suficiente para cerca de 30 voltas — número que varia conforme o traçado e o ritmo da corrida.

Logística

Cherowbrier também explicou como funciona a complexa estrutura logística responsável por transportar carros, baterias, equipamentos de pista e toda a infraestrutura tecnológica do campeonato mundial de carros elétricos. Ele comparou o modelo da categoria ao da Fórmula 1 e destacou a parceria com a DHL como pilar central da operação.

O CTO afirmou que, assim como a F1, a Fórmula E também depende de um operador logístico global para garantir que cada etapa receba todos os componentes necessários – e que a movimentação aérea é feita com duas aeronaves de grande porte. “Nós temos dois aviões – dois Boeing 747 – que trazem os carros, as baterias e todos os equipamentos complexos, eletrônicos, como as câmeras de TV, afirmou.

Além do transporte aéreo, a categoria opera quatro linhas marítimas simultâneas para levar materiais mais volumosos e de menor valor. Através do frete marítimo, nós temos quatro vias. E trazemos câmeras, cabos, cabeamento, os monitores e toda a parte pesada da logística, explicou o CTO. Equipamentos de baixo valor agregado também seguem por navio, reduzindo custos e emissões.

Já os itens essenciais à montagem do circuito temporário são movimentados por via rodoviária. Através da estrada, localmente, nós trazemos os blocos de concreto que fazem a pista e até os móveis que compõem o circuito”, detalhou Cherowbrier. Tudo feito pela DHL.

O CTO destacou que a preocupação ambiental influencia diretamente as escolhas logísticas da Fórmula E, reduzindo deslocamentos e priorizando soluções locais sempre que possível.

Questionado sobre os principais desafios encontrados no ePrix brasileiro, Cherowbrier apontou dois pontos críticos. O primeiro é o calor intenso: “É muito quente aqui. Então nós temos um grande desafio em manter os servidores e equipamentos resfriados”.

O segundo desafio está associado ao modelo remoto de operação adotado pela Fórmula E por motivos de sustentabilidade. “Toda a equipe de televisão está em Londres, e nós nos conectamos através de uma conexão de internet. Então, é tudo feito via remoto”, explicou.

A distância entre Brasil e Reino Unido impõe limitações adicionais. “Aqui é uma das maiores distâncias de comunicação de todo o circuito. E, em relação a Londres, há uma latência de 250 milissegundos para fazer a comunicação”, ressaltou.

A equipe reconhece que uma mudança na época do ano — para um período mais ameno — poderia facilitar a operação no país, mas essa decisão depende do calendário global da categoria.

O editor da Logweb, Wanderley Gonelli Gonçalves, esteve no evento a convite da ABB.

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