Os pátios industriais, as áreas retroportuárias e os portos seguem como elos críticos da cadeia logística brasileira. No entanto, muitos desses ambientes ainda operam com baixa visibilidade operacional, falhas de comunicação e sistemas pouco integrados. Embora essas etapas sejam pouco perceptíveis ao consumidor final, concentram entraves que impactam diretamente prazos, custos e a previsibilidade das operações.
Segundo dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), o custo logístico no Brasil permaneceu em torno de 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025. O percentual evidencia a persistência de ineficiências estruturais ao longo da cadeia. Parte desse impacto está relacionada ao aumento do tempo gasto em etapas intermediárias, especialmente em pátios industriais e instalações retroportuárias.

Relatórios da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) indicam que atrasos nessas áreas influenciam diretamente o tempo de permanência das cargas, gerando custos indiretos relevantes. Assim, gargalos operacionais nessas zonas acabam refletindo em toda a cadeia logística.
Esses ambientes compartilham desafios técnicos semelhantes. Entre eles, destacam-se grandes extensões territoriais, circulação intensa de veículos e equipamentos, interferências físicas e eletromagnéticas e a necessidade de mobilidade contínua. Além disso, a ausência de conectividade confiável e de rastreabilidade em tempo real dificulta o controle das operações, provoca deslocamentos desnecessários e amplia o risco de perdas e atrasos.
De acordo com Raphael Cabral, diretor comercial e de vendas da RGL Solutions – empresa especializada em soluções de conectividade para ambientes de alta criticidade –, a infraestrutura de comunicação passou a desempenhar papel estratégico nesses contextos. “Hoje já existem operações industriais em pátios de grande porte em que a conectividade permite executar liberações, auditorias e controles diretamente no campo, em tempo real, sem a necessidade de deslocar veículos até pontos específicos para acessar sistemas”, afirma.
Em ambientes logísticos complexos, como portos e áreas retroportuárias, a pressão por eficiência, segurança e rastreabilidade é crescente. Portanto, a infraestrutura digital adequada torna-se decisiva para integrar sistemas, apoiar a automação de processos e reduzir custos indiretos associados à ociosidade de ativos e ao retrabalho. Nesse cenário, os gargalos menos visíveis da logística exigem soluções técnicas estruturadas e integradas.
Ainda segundo o executivo, quando a infraestrutura digital acompanha a dinâmica operacional e se conecta aos sistemas de gestão, há redução de filas, manobras desnecessárias e riscos operacionais. “A conectividade deixa de ser apenas um apoio técnico e passa a funcionar como parte integrante do processo produtivo”, finaliza Cabral.









