A logística farmacêutica internacional tem sido impactada pela guerra no Oriente Médio, especialmente no transporte de medicamentos para pesquisas clínicas, que exigem condições rigorosas de controle e não podem sofrer interrupções. A Fic Company – empresa brasileira especializada em Supply Chain e logística farmacêutica para o fornecimento de medicamentos para pesquisas clínicas, com atuação nacional e internacional –, precisou redesenhar rotas internacionais para garantir a continuidade dos estudos científicos em andamento.
De acordo com a empresa, as restrições de tráfego aéreo em determinadas regiões, em função do conflito no Irã, levaram à necessidade de ajustes imediatos nas operações. Esse tipo de mudança, no entanto, envolve uma coordenação técnica complexa, já que os medicamentos experimentais precisam manter condições específicas durante todo o trajeto.
Em um caso recente, cargas que tradicionalmente utilizavam hubs logísticos no Oriente Médio passaram a ser redirecionadas para aeroportos europeus, como Paris, antes de seguir para centros de pesquisa na Índia. A decisão considerou fatores como disponibilidade de voos cargueiros, infraestrutura farmacêutica adequada para transbordo e capacidade de armazenagem temporária com controle de temperatura.
Segundo Maila Tanizaki, Head de Operações e Qualidade da Fic Company, a complexidade dessas operações vai além da logística convencional. “A diferença entre a logística convencional e a logística de pesquisa clínica é que aqui não estamos apenas movendo produtos. Estamos transportando parte de um experimento científico em andamento. Qualquer falha pode significar atraso em um estudo, perda de material ou necessidade de repetir etapas inteiras da pesquisa”, afirma.

Logística farmacêutica exige controle rigoroso no transporte de medicamentos
Os medicamentos investigacionais utilizados em pesquisas clínicas são, em muitos casos, produtos biológicos altamente sensíveis. Por isso, precisam ser transportados dentro de faixas térmicas específicas e com rastreabilidade completa ao longo de toda a operação internacional. Pequenas variações de temperatura podem comprometer a estabilidade dos produtos e impactar diretamente a confiabilidade dos resultados dos estudos.
Para mitigar esses riscos, são utilizadas embalagens qualificadas capazes de manter a temperatura controlada por períodos prolongados, que podem ultrapassar 120 horas, dependendo da configuração logística. Além disso, dispositivos de monitoramento registram continuamente as condições da carga durante o transporte, permitindo a validação posterior dos dados antes da liberação do material no destino final.
Outro ponto crítico em situações de alteração de rota é a coordenação entre os diversos agentes da cadeia logística. Mudanças exigem comunicação imediata entre patrocinadores dos estudos, operadores logísticos, agentes de carga, centros de pesquisa e, quando necessário, autoridades regulatórias envolvidas.
Além disso, dependendo do país de escala e do tipo de operação, ajustes no trajeto podem demandar revisões em documentação de transporte e registros aduaneiros. Mesmo quando a carga permanece em trânsito internacional, sem nacionalização, a rastreabilidade completa deve ser mantida para atender às exigências regulatórias do setor.
Entre os principais desafios logísticos estão o aumento do tempo de trânsito, atrasos em conexões aéreas e a necessidade de armazenamento temporário em hubs intermediários. Em pesquisas clínicas, esses fatores precisam ser gerenciados com precisão para evitar impactos no cronograma de tratamento dos pacientes e no abastecimento dos centros de pesquisa.
Diante desse cenário, especialistas apontam que eventos de instabilidade geopolítica tendem a ganhar relevância no planejamento do Supply Chain farmacêutico global. Nesse contexto, operadores logísticos especializados passam a trabalhar com rotas alternativas previamente mapeadas e margens de segurança mais amplas para garantir a continuidade das operações.









