Eficiência portuária garante melhor triênio da história da balança comercial brasileira

Responsáveis por movimentar mais de 95% das trocas comerciais do Brasil com o mundo, os portos brasileiros encerraram 2025 como protagonistas de um ciclo histórico para a economia nacional. Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), em conjunto com o balanço operacional do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), mostram que a eficiência portuária foi determinante para que o país alcançasse, pelo terceiro ano consecutivo, superávit na balança comercial. Em 2025, a corrente de comércio — soma de exportações e importações — atingiu US$ 629 bilhões, resultando em um superávit de US$ 68,2 bilhões, o terceiro maior da série histórica iniciada em 1989, ao lado dos resultados recordes de 2023 e 2024.

Mesmo diante do tarifaço imposto pelo governo norte-americano a parte dos produtos brasileiros, tanto as exportações quanto as importações registraram desempenho histórico. As vendas externas somaram US$ 348,676 bilhões, com crescimento de 3,5% em relação a 2024. As importações, por sua vez, alcançaram US$ 280,4 bilhões, alta de 6,7% na comparação anual e quase US$ 8 bilhões acima do recorde anterior, registrado em 2022. Os números foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Mdic.

Eficiência portuária garante melhor triênio da história da balança comercial brasileira
Foto: Divulgação/MPor

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, os resultados confirmam que a infraestrutura logística se tornou um diferencial competitivo do país. “Os números mostram que o Brasil vive um novo momento de maturidade logística. Não é coincidência que os três maiores superávits da nossa história tenham ocorrido nos últimos três anos. Isso prova que a infraestrutura portuária se tornou uma alavanca de competitividade. Estamos dando as condições necessárias tanto para escoar nossa produção ao mercado internacional quanto para receber os insumos e mercadorias que abastecem a indústria e o consumo interno”, destacou.

Na mesma linha, o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin afirma: “Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos”. Segundo ele, “O resultado reflete também o conjunto de programas e ações do governo do presidente Lula para aumentar a produtividade e a competitividade de nossas empresas no exterior, sobretudo com a Nova Indústria Brasil (NIB) e com o Plano Brasil Soberano”.

Crescimento portuário e eficiência portuária sustentam resultados

Se, por um lado, os valores financeiros oscilaram no mercado global, por outro, o volume físico movimentado pelos portos manteve trajetória de crescimento. O balanço do MPor indica que a operação portuária deve fechar 2025 com 1,34 bilhão de toneladas de cargas, avanço de 3,25% frente ao ano anterior. Entre 2023 e 2025, o acréscimo acumulado de 150 milhões de toneladas supera, isoladamente, todo o volume movimentado pelo Porto de Santos em 2025.

Esse ganho de capacidade foi essencial para atender à maior demanda por commodities no fim do ano. Segundo o Mdic, produtos como petróleo (+74%), soja (+73,9%) e carne bovina (+70,5%) puxaram as exportações em dezembro. Do ponto de vista logístico, o movimento se refletiu em recordes nos terminais. O Porto de Santos (SP) registrou crescimento de 29% entre os portos públicos de janeiro a outubro, com 119,4 milhões de toneladas. O Porto de Paranaguá (PR) avançou 13,5%, totalizando 55,2 milhões de toneladas, enquanto o Porto do Itaqui (MA) cresceu 7,6%, com 31,4 milhões de toneladas.

Entre os marcos desse ciclo da infraestrutura portuária estão o leilão do Túnel Santos-Guarujá, maior investimento do Novo PAC, com R$ 6,8 bilhões, e a concessão inédita do canal de acesso de Paranaguá, que permitirá a atracação de navios maiores e mais eficientes.

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