Neste artigo, representante da LAP Brasil, colunista do Portal Logweb, analisa um case de sinergia logística que resultou na captura de R$ 160 milhões em ganhos de eficiência em uma operação com orçamento superior a R$ 2 bilhões. O episódio também evidencia que os R$ 40 milhões não capturados da meta inicial podem gerar aprendizados relevantes sobre execução, integração entre áreas, tecnologia, processos e o papel das pessoas na transformação das operações.
Em grandes operações logísticas, eficiência raramente está associada a uma única iniciativa. Os maiores ganhos surgem da capacidade de conectar processos, tecnologia, pessoas e estratégias em torno de um mesmo objetivo: transformar complexidade operacional em vantagem competitiva.
No episódio #09 do LAP Cast — o podcast da Logística de Alta Performance –, a LAP Brasil recebeu Adiemir Hortega para compartilhar um dos cases mais relevantes de transformação logística: um programa de sinergia estruturado em uma operação com orçamento superior a R$ 2 bilhões, cuja meta era capturar R$ 200 milhões em ganhos de eficiência.
O resultado alcançado foi expressivo: R$ 160 milhões capturados, equivalente a 80% da meta estabelecida. Mais do que um número financeiro, o case revela uma importante reflexão para líderes de Supply Chain: a diferença entre uma oportunidade identificada no planejamento e um resultado efetivamente entregue está na capacidade de execução.

Da estratégia ao resultado: as grandes alavancas de eficiência
O programa de sinergia foi construído a partir de diferentes frentes estratégicas, mostrando que a excelência logística depende de uma visão integrada da operação.
Entre as principais iniciativas estavam:
– Centralização da contratação de fretes
A consolidação da gestão de transportes permitiu maior poder de negociação, padronização dos processos e melhor governança sobre os custos logísticos.
– Gestão estruturada do consumo de diesel
Um dos maiores componentes de custo operacional passou a ser tratado com maior controle e inteligência, revelando oportunidades antes dispersas em diferentes áreas.
– Eficiência dos circuitos de transporte
A revisão dos fluxos, rotas e utilização dos ativos buscou aumentar produtividade, reduzir deslocamentos improdutivos e melhorar o aproveitamento da frota.
– Otimização tributária integrada à logística
O projeto mostrou que decisões fiscais e operacionais precisam caminhar juntas. A logística moderna exige uma visão ampla da cadeia de valor.
– Integração de fluxos por meio do backhaul
A conexão entre cargas de grãos e fertilizantes representava uma oportunidade relevante para reduzir viagens vazias e aumentar a eficiência dos ativos.
No planejamento, todas essas frentes apresentavam grande potencial. Porém, como acontece em toda transformação logística, a realidade operacional trouxe desafios que nenhum modelo financeiro consegue capturar completamente.
Quando o planejamento encontra a operação real
Um dos maiores aprendizados do case está justamente nos ganhos que não foram capturados.
A integração dos fluxos via backhaul, considerada uma das iniciativas mais promissoras, encontrou barreiras práticas: filas operacionais, diferenças de tempos entre cargas, limitações sistêmicas e decisões tomadas pelos próprios transportadores no dia a dia.
Esse cenário evidencia uma realidade conhecida por profissionais experientes de Supply Chain: a logística não acontece apenas em planilhas, dashboards ou apresentações executivas. Ela acontece no pátio, nas estradas, nos centros de distribuição e nas decisões tomadas por milhares de pessoas diariamente.
A tecnologia pode indicar o melhor caminho, mas são as pessoas que executam a estratégia.
Os R$ 40 milhões que não foram capturados também geraram valor
Em muitos projetos de eficiência, existe uma tendência de olhar apenas para o resultado alcançado. Porém, os ganhos não capturados podem trazer aprendizados ainda mais valiosos.
Os R$ 40 milhões que ficaram fora da captura planejada revelaram pontos críticos de execução: necessidade de maior integração entre áreas, evolução dos sistemas, alinhamento de incentivos e entendimento mais profundo dos comportamentos envolvidos na operação.
A grande lição é que uma oportunidade de melhoria não desaparece quando não é capturada imediatamente. Ela se transforma em conhecimento para tornar os próximos ciclos de transformação mais maduros e assertivos.
A nova agenda da liderança logística
O case apresentado por Adiemir Hortega reforça uma mudança importante no papel dos líderes de Supply Chain. Hoje, não basta construir um business case robusto. É necessário liderar a transformação considerando três pilares fundamentais:
– Pessoas: porque são elas que tomam decisões e sustentam a mudança.
– Processos: porque a eficiência depende de modelos claros, simples e executáveis.
– Tecnologia: porque dados e integração são essenciais para ampliar a capacidade de decisão.
Grandes programas logísticos não fracassam pela falta de boas ideias. Muitas vezes, eles perdem valor na distância entre a estratégia desenhada e a realidade da execução.
A principal mensagem do case
Capturar R$ 160 milhões em uma operação bilionária representa uma entrega de alto impacto. Mas o verdadeiro legado está no aprendizado gerado pelo caminho.
A logística de alta performance exige menos foco apenas no “quanto economizamos” e mais atenção ao “como conseguimos sustentar essa eficiência”.
Porque, no fim, sinergia logística não é apenas unir operações. É conectar pessoas, processos e tecnologia para transformar potencial em resultado.







