A palavra-chave é eficiência

02/10/2023

Depois de alguns anos bastante desafiadores para o setor de transporte logístico, sinais de virada positiva na economia começam a aparecer no horizonte do segundo semestre, como a queda dos juros e certa flexibilização da oferta de crédito.

Uma economia mais dinâmica representa a volta das compras e, com elas, o transporte de cargas. Naturalmente, antes de sair por aí investindo em ampliação de serviços e operações, é uma ótima decisão as empresas arrumarem a casa primeiro e a palavra-chave para isso é eficiência.

O ganho em produtividade e geração de valor pode ser feito de várias formas: aquisição de tecnologias ou equipamentos de última geração, mas também pela mudança da cultura organizacional. Todos os exemplos dão resultados, mas há diferenças entre eles: os dois primeiros casos dependem inteiramente de investimentos. O último até necessita de recursos financeiros, mas tem muito mais a ver com encontrar uma forma permanente de se fazer mais com, basicamente, os mesmos recursos.

Metodologias de produtividade, como o Lean Manufacturing (produção enxuta), se encaixam perfeitamente no propósito de mudança cultural. Criada pela montadora Toyota depois da Segunda Guerra, o sistema Lean rapidamente substituiu o Fordismo como modelo de produção e passou a ser adotado por empresas de todos os países do mundo, em todos os segmentos empresariais.

Por meio do Lean, fluxos organizacionais administrativos e operacionais são redesenhados para melhorar a qualidade dos processos e redução de desperdícios – pois eles geram custos. O envolvimento que começa na alta gestão permeia os demais níveis organizacionais e o primeiro resultado, invisível, é a mudança da cultura organizacional: todos compreendem que são responsáveis pela eliminação de erros e geração de resultados. E os ganhos materializados de eficiência acabam por motivar e reforçar o novo mindset.

No setor logístico, o Lean é um velho conhecido. Um estudo acadêmico da Fundação Dom Cabral revela que, de 145 empresas do setor de transportes logísticos em território nacional, pelo menos 95% delas pretendem adotar o método nos próximos 5 ou 10 anos.

Independente da estratégia de investimento de cada empresa para ser mais eficiente, a mudança de mentalidade corporativa por meio de metodologias de produtividade é a que mais está ao alcance de empresas de todos os portes, capitalizadas ou não.

Esse conceito vai ao encontro de uma conhecida máxima corporativa que diz que você pode até não ser o maior, mas pode ser o melhor.

Compartilhe:
Antonio Wrobleski

Antonio Wrobleski

Especialista em logística, presidente da BBM Logística, sócio e conselheiro da Pathfind. Engenheiro com MBA na NYU (New York University) e também sócio da Awro Logística e Participações. Ele foi presidente da Ryder no Brasil de 1996 até 2008. Em 2009 montou a AWRO Logística e Participações, com foco em M&A e consolidação de plataformas no Brasil. Foi Country Manager na DHL e Diretor Executivo na Hertz. O trabalho de Antonio Wrobleski tem exposição muito grande no mercado Internacional, com trabalhos em mais de 15 países tanto no trade de importação como de exportação. Além disso, ele é faixa preta em Jiu-jítsu há 13 anos e pratica o esporte há 30 anos.

Scania anuncia cobertura estendida de trem de força por até cinco anos na Fenatran e detalha investimentos na rede
Abralog alerta para impactos logísticos e econômicos com a aprovação do fim da escala 6×1 no Senado
Garagem010 estreia na Fenatran 2026 com ecossistema digital voltado ao mercado de pesados
Exportações em alta e gargalos operacionais aceleram transição para o Comex 3.0 no Brasil
Motz anuncia Marcos Garcia como novo Diretor de Produto e Inovação
Correios passam a aceitar descarte gratuito de lixo eletrônico em mais de 6 mil agências

As mais lidas

01

CENTRONAVE alerta para riscos no transporte marítimo em Manaus e defende adoção da sobretaxa de seca

02

Tecnologia semiautônoma da VLI economiza mais de 4 milhões de litros de diesel e evita emissão de 9,3 mil toneladas de CO₂

03

Fulwood anuncia expansão do Infinity Business Park em Extrema (MG) com novos galpões e mais de 800 vagas de emprego