
O Mato Grosso prepara-se para ingressar em uma nova era de sua infraestrutura de transportes, impulsionado pelo avanço do modal ferroviário e pelas melhorias estruturais na BR-163. A avaliação foi defendida pelo empresário e ex-senador Cidinho Santos, CEO do Grupo MC Empreendimentos e presidente licenciado do Conselho de Administração da Nova Rota do Oeste, durante o painel “Logística e Infraestrutura: O Futuro do Escoamento da Produção”, no Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em São Paulo.
O evento, realizado nos dias 1º e 2 de outubro no Nubank Parque, contou também com a participação de Fernando Dihel (diretor-executivo da Ultracargo) e Bernardo Nogueira (CEO da Kepler Weber), sob a mediação de Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura.
O papel estratégico das ferrovias e da industrialização
Ao debater os corredores logísticos mato-grossenses, Cidinho enfatizou que a combinação de três grandes projetos ferroviários — a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), a Ferrogrão e a Ferrovia Estadual (operada pela Rumo) — deve ampliar drasticamente a participação dos trilhos no escoamento da safra e suprir as demandas de um estado em forte expansão agropecuária.
“Mato Grosso caminha para resolver os gargalos da produção com as ferrovias. Temos a Fico, a Ferrogrão e a Ferrovia Estadual. Nos próximos cinco a dez anos, Mato Grosso estará muito bem servido no modal ferroviário”, afirmou Cidinho.
Além dos trilhos, o empresário destacou que o processo de industrialização interna, encabeçado pela expansão da produção de etanol de milho, exerceu um papel fundamental para desafogar a cadeia de suprimentos. A transformação de grãos dentro do próprio estado ajudou a conter um déficit ainda maior de armazenagem e de transporte para outras regiões. Contudo, ele ponderou que a concretização de novos investimentos em longo prazo esbarra em entraves macroeconômicos e regulatórios:
- A necessidade de mitigar o custo elevado do crédito e os juros considerados absurdos;
- A superação de gargalos e exigências no âmbito ambiental;
- A garantia rigorosa de segurança jurídica para atrair novos capitais para a infraestrutura.
BR-163 e a urgência de diversificação modal
Como presidente do Conselho de Administração da Nova Rota do Oeste, Cidinho apresentou os avanços na concessão da BR-163, destacando a mobilização de cerca de 5 mil trabalhadores e as obras de duplicação fundamentais para destravar o tráfego e elevar a segurança no principal corredor rodoviário rumo ao Arco Norte.
A dependência excessiva das rodovias também foi um dos motes da intervenção de Fernando Dihel (Ultracargo). Para o executivo, a extensão territorial do Mato Grosso e o volume expressivo da produção exigem sinergia entre diferentes modais — integrando ferrovias, rodovias e a cabotagem —, tornando primordial a localização estratégica de hubs e terminais logísticos.
O desafio da armazenagem e o novo ciclo do agronegócio
Outro ponto crítico debatido no painel foi o descompasso entre o crescimento acelerado da produção nacional de grãos e a capacidade estática de armazenagem. Elisangela Pereira Lopes classificou como urgente a incorporação da pauta ao planejamento logístico nacional, além de cobrar linhas de crédito mais acessíveis para o setor.
Complementando a discussão, Bernardo Nogueira (Kepler Weber) pontuou que o déficit atual reflete a própria dinâmica de desenvolvimento agrícola no país, onde os recursos dos produtores foram focados por décadas na abertura de fronteiras e aquisição de maquinário. Agora, abre-se um novo ciclo focado em investimentos na industrialização de grãos e em estruturas de armazenamento.