Transpondo as barreiras para a implantação do voice-picking no País

07/06/2010

Considerada uma das principais tendências tecnológicas para este ano, a adoção do sistema por comando de voz nos processos de separação dos pedidos ganha cada vez mais adeptos entre os operadores logísticos devido às suas inúmeras vantagens, comparadas à utilização de papel ou coletores de radiofrequência.

Composta por um terminal de comunicação sem fio, uma rede de radiofrequência, outra de computadores e um servidor, o voice-picking tem grande aplicação por proporcionar melhor precisão, produtividade e retorno rápido do investimento para as operações.

A tecnologia é uma aliada no gerenciamento dos armazéns, ao permitir a comunicação dos operadores com o software de gestão de depósitos (WMS) por meio do reconhecimento e da síntese da fala, acelerando as tarefas por dispensar o uso das mãos e dos olhos. Por isso, em muitos casos, obtém-se 99,9% de acuracidade e um aumento de 10 a 20% de produtividade, eliminando o uso de listas e simplificando as tarefas administrativas.

Por suas características, o aplicativo é bastante aderente, principalmente às operações repetitivas, em que são manuseadas elevadas escalas de itens diversificados e divididos em quantidades pequenas fora da unidade padrão, como nas redes de supermercados e nos distribuidores de alimentos, produtos de higiene, limpeza e autopeças. Existem casos em que o emprego do coletor por voz é a única alternativa para otimizar o fluxo de trabalho, como por exemplo, na leitura dos códigos de identificação dos contêineres para exportação.

Podemos enumerar diversos ganhos financeiros, operacionais e estratégicos após a introdução da solução, como a redução dos custos com papéis e etiquetas, a atualização em tempo real das informações referentes ao estoque, a realização de contagens cíclicas para a verificação dos produtos, a diminuição dos riscos de acidentes durante o trânsito no armazém e a maior facilidade na formação dos profissionais dedicados à separação das mercadorias. Além disso, o coletor por voz é o que proporciona o retorno de investimento mais rápido, sendo obtido em menos de um ano.

Apesar de todas essas vantagens comprovadas, existe um fator limitador que inibe sua implantação: a sua dependência da cobertura das ondas de rádio. Por necessitar de 100% de alcance da radiofrequência, é possível sofrer interferências do ambiente. Essa restrição pode inviabilizar o seu emprego em todas as tarefas do armazém, como no recebimento dos produtos, nas transferências, na montagem de paletes e na verificação de estoques e inventários.

No entanto, a maior dificuldade encontrada pelas corporações na utilização do comando de voz é o preço, pois o sistema é de 10 a 15% mais caro que a tecnologia por coletores de dados, além de exigir um investimento alto em infraestrutura de rede, softwares, suporte e serviços. Para transpor essa principal barreira, os fornecedores de TI que atendem ao setor de logística podem ter um papel decisivo para reverter esse cenário. Porém, não basta configurar as ferramentas desenvolvidas e os serviços prestados de acordo com a demanda em ascensão no mercado e às necessidades específicas desse novo nicho.

Essa aderência só será garantida se houver um engajamento de fabricantes e integradores para a popularização da solução por meio de parcerias e investimentos que viabilizem ofertas mais acessíveis e customizadas, democratizando o uso às companhias de todos os portes. A estratégia de estimular condições favoráveis para a sua aquisição será o único caminho para que ocorra a evolução de toda a cadeia de suprimentos da economia brasileira.

Wagner Tadeu Rodrigues – presidente da Store Automação, fornecedora de soluções de TI para a área de logística
wagner-tadeu.rodrigues@storeautomacao.com.br

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