Sustentabilidade. É para valer?

26/07/2010

A adoção de práticas sustentáveis é fundamental para o relacionamento de uma empresa com seu investidor, cliente, parceiro e com a sociedade, mas esta iniciativa deve estar – de fato – enraizada na missão e nos valores da empresa e não apenas apresentar-se como instrumento de Marketing.

Quando a sustentabilidade fica só no discurso, os riscos aumentam e podem gerar consequências avassaladoras. A catástrofe ambiental ocasionada pelo vazamento de óleo da plataforma da Britsh Petroleum, no Golfo do México, no dia 20 de abril, é um exemplo contundente que reforça esta tese. Além do imenso prejuízo financeiro e de imagem junto à população mundial e junto aos ecologistas, a BP foi bombardeada por críticas e sofreu sanções do governo americano. Até o momento, suas ações desabaram cerca de 40% na Bolsa de Valores de Nova York.

Embora o termo sustentabilidade esteja em alta, muitos profissionais de diferentes níveis decisórios não conseguem enxergar a proximidade deste tema com o mundo corporativo. Muitos não têm ciência sobre o quanto um negócio resiliente – estruturado em uma gestão da qualidade e com iniciativas responsáveis (social e ambiental) – influencia o valor das ações de uma companhia, além de ser importante também na valorização da empresa pelos próprios funcionários e na conquista de clientes e aliados.

A relação entre sustentabilidade e lucratividade é real e se mostra pouco a pouco ganhando corpo na política das organizações. Basta observarmos a quantidade de informações divulgadas diariamente sobre como as companhias estão começando a agir para se tornarem mais responsáveis ecológica e socialmente.

Se a “insustentabilidade” é capaz de devastar a imagem de uma empresa, por outro lado, a adoção de um comportamento transparente e ecologicamente responsável valoriza a companhia no mercado, principalmente para os investidores.

Com foco nesta demanda e como forma de incentivo, a BM&F Bovespa lançou em 2005 o ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial. O ISE é uma carteira composta por ações de organizações que tenham comprometimento com a responsabilidade social e a sustentabilidade empresarial, de maneira que estas empresas tornem-se referência para as demais, além de alvos atraentes para o investimento de recursos.

A avaliação para o ISE é feita anualmente e analisa critérios rigorosos que vão desde o combate à corrupção corporativa até a responsabilidade ambiental. A Gestão da Continuidade de Negócios também está presente entre os requisitos exigidos para que as organizações possam compor o ISE. Isto porque um Programa de Gestão da Continuidade de Negócios deve estar alinhado às demais práticas da empresa, sendo parte fundamental de uma cultura e política corporativa que tenha como base a sustentabilidade.

O ISE é a demonstração de uma tendência mundial que leva as organizações a observarem o quanto os seus negócios devem estar realmente atrelados a garantias de qualidade e de responsabilidade para com investidores, parceiros, clientes e meio ambiente.

Evelyn Papalardo – consultora da Sion People Center, empresa com o foco em serviços para garantia de continuidade de negócios e operações para empresas de diversos segmentos.
mariana@capitalinformacao.com.br

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