Portos: momento exige bom senso

08/12/2013

O governo federal pretende entre janeiro e fevereiro de 2014 levar a leilão as 11 instalações portuárias previstas para arrendamento no Porto de Santos. Com isso, procura cumprir, em caráter de urgência, o que estabelece a Lei nº 12.815/13, a nova Lei dos Portos. Para tanto, já está de posse de estudos de viabilidade econômica e técnica, além de outras análises que incluem os impactos ambientais que podem advir da entrada em operação desses empreendimentos. Se tudo vai se dar como o governo planeja é que não se sabe.

De imediato, há uma grande questão pela frente: a Prefeitura de Santos, com o apoio da Câmara Municipal, sancionou lei que proíbe a implantação de terminais de grãos na Ponta da Praia, levando em conta o mau cheiro e o tumulto no trânsito que são comuns naquele bairro.

Se o governo colocar em prática suas ações que prevêem duas instalações graneleiras na Ponta da Praia – uma, já explorada pela ADM, que teria seu contrato renovado, e outra a ser gerida por outra operadora –, o que se espera é um aumento de 80% nas movimentações de grãos. Não é difícil imaginar as consequências  num bairro cuja qualidade do ar já é considerada a pior do Estado de São Paulo, segundo a Cetesb. Obviamente, a Prefeitura e a comunidade local não deverão aceitar isso passivamente, o que significa que a questão cairá inevitavelmente nas mãos da Justiça.

Não é só. A Prefeitura também se opõe à instalação de um terminal de fertilizantes na região de Outeirinhos, próxima ao centro da cidade, levando em conta que possíveis vazamentos podem não só comprometer as operações portuárias como a saúde dos moradores. Ou seja, é mais um imbróglio que, se não houver um entendimento prévio entre o governo federal e a administração municipal, poderá seguir para os escaninhos da Justiça.

Para os dois casos, é de lembrar que o Porto de Santos dispõe de espaço na área continental do município para duplicar a sua atual capacidade de movimentação. E que a nova Avenida Perimetral na margem direita do Porto – para a qual ainda está prevista uma passagem subterrânea no Valongo, o chamado Mergulhão – não foi projetada para suportar o volume de tráfego de caminhões e carretas que há de vir em função de novas instalações a serem leiloadas pelo governo.

A par disso, há ainda uma questão nebulosa que está preocupando os futuros arrendatários que, segundo a nova legislação, terão de assumir a maior parte dos riscos e ainda ficar à mercê de situações que fogem ao seu controle, como câmbio, novos impostos, multas municipais e até mesmo mudanças no cenário econômico mundial.

Por tudo isso, não é ir muito longe imaginar que ações possam ser impetradas na Justiça alegando a inconstitucionalidade das atuais disposições que vieram no bojo da nova Lei dos Portos. Portanto, é recomendável que haja muito bom senso e equilíbrio nesta hora.

Milton Lourenço – Presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). fiorde@fiorde.com.br

 

Compartilhe:
Gestão de Fretes: Ciência e Resiliência — O novo e-book de Adriana Bueno
Guia Salarial 2027 da Michael Page: o paradoxo da inteligência artificial e os salários no setor de supply chain
Reality show de caminhoneiros “Master Driver Brasil” chega à final com mais de 135 milhões de visualizações
Hidrovias do Brasil lança 6ª edição do Programa Aceleraê com certificação inédita em Classificação de Grãos no Pará
Scania apresenta novas soluções para coleta de resíduos e flexibilidade de eixos na Fenatran 2026
Black Friday já movimenta logística internacional com previsão de 55 milhões de pacotes até dezembro

As mais lidas

01

Loja do Mecânico expande entrega expressa para produtos de médio e grande porte

02

CMA CGM e HappyRobot expandem solução global de inteligência artificial por voz para o setor logístico

03

Consórcio investe em novos berços para ampliar eficiência na movimentação de granéis líquidos no Porto de Santos