Os problemas da adoção de um WMS “caseiro”

22/08/2016

por Fernando Braidatto*

Como consequência do rápido crescimento do Brasil obtido nas últimas décadas, os prazos de entrega aumentaram e o atendimento ao cliente foi impactado. Porém, graças ao constante crescimento da demanda, tais problemas não ficaram evidentes. Muitas vezes, seriam considerados como porcentagem crescente, ou seja, aceitável de perda.

Hoje, a realidade é outra. Em meio à crise, o Brasil parou de consumir como antes, e agora muitas empresas estão enxugando as suas estruturas para evitar desperdícios. O gasto exagerado por meio de processos pouco aderentes, espelhados em sistemas de armazenagem engessados e desatualizados, escondidos atrás da demanda, é um dos principais causadores de falhas na gestão dos armazéns e, consequentemente, no aumento dos gastos internos.

Quando falamos em sistemas de armazenagem (WMS), deve-se escolher um sistema robusto, completo, com suporte adequado, parametrizável e expansível, para assim poder eliminar os desperdícios e tornar os processos mais enxutos e controlados. Assim, as boas práticas recomendam não investir em soluções “caseiras” ou de “software houses” que costumam ter foco apenas em um único segmento ou realidade. O desenvolvimento de software por medida tem muitos outros problemas, por exemplo:

· não gerenciam um inventário de forma detalhada, importantíssimo para a aferição do nível de estoque;
· não se integram com outros sistemas da cadeia de suprimentos, como por exemplo ERP (Enterprise Resource Planning) e TMS (Transportation Management System), tendo a necessidade de duplicar a inserção de dados nestes sistemas para que o fluxo continue;
· são praticamente nulos em relação à alteração de estratégias de estocagem, entrada, saída e manipulação dos produtos;
· não são maleáveis para absorver as características das diferentes formas de racks e as especificações de cada área e zona de armazenagem;
· exigem um alto tempo de execução das ordens;
· têm um baixo ou nenhum nível de parametrização;
não são expansíveis;
· não são atualizados com novas tecnologias, estratégias e tendências de mercado.

Essas soluções “caseiras” rodariam da maneira ideal para todos inicialmente, pois os processos mapeados estariam sendo seguidos. Mas, após a percepção de consecutivas alterações de desempenho, vendas, redução de market share, modernização da concorrência e o aumento de custos para operar, a necessidade de se redesenhar os processos acaba se tornando fundamental.

A utilização correta da tecnologia de informação é essencial para ajudar nas decisões dos colaboradores do armazém, pois ela organiza o fluxo de processos, informações e recursos e realiza ganhos de tempo gerenciando cada colaborador a executar a correta função na hora certa etc. Desta forma, tende-se a aumentar o nível de serviço prestado ao cliente.

O suporte e atualização deste software são fatores importantíssimos para a manutenção ou até mesmo a elevação do nível de serviço. O WMS deve ser flexível para se adaptar a novas estratégias e tecnologias. A equipe de suporte deve ser experiente e de fácil acesso. Assim, a escolha do software WMS e de seu fornecedor é essencial não só para o presente da empresa, mas também para o planejamento de seu futuro.

* Fernando Braidatto é consultor em logística da Divisão de Aplicativos da Sonda IT, maior integradora latino-americana de soluções de Tecnologia da Informação

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